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Legislativas 2025

Ética, pensões e imigrantes no discurso de encerramento de Montenegro

16 mai, 2025 - 21:27 • Redação, com Lusa

Líder da coligação AD deixou o derradeiro apelo ao voto em nome da estabilidade.

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Ética entra no último comício de campanha de Montenegro
Reportagem de Manuela Pires (Renascença)

O presidente do PSD afirmou esta sexta-feira que tem uma liderança "ética e transparente" e acusou os seus adversários de tentarem atacar a AD pela "via mais fácil", dizendo que nunca fará aos outros o que lhe tentaram fazer. Luís Montenegro prometeu aumentos anuais para os pensionistas e falou sobre imigração: "para quem vem quem cumpre regras".

Luís Montenegro falava no comício de encerramento da campanha da AD - Coligação PSD/CDS-PP e fez, pela primeira vez, uma alusão à razão na origem da crise política e das eleições antecipadas de domingo: as dúvidas da oposição sobre a empresa familiar Spinumviva, que fundou e recentemente transmitiu aos filhos.

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Depois de falar do projeto e da equipa da AD, o presidente do PSD disse querer também falar da sua liderança.

"É uma liderança transparente e uma liderança ética. Bem sei que aqueles que não conseguiram contrapor o projeto e contraditar a equipa tentaram ir pela via mais fácil, que era atacar o líder", criticou.

Montenegro disse ter uma postura diferente, de não atacar os adversários, mas quis deixar a defesa da sua atitude ao longo deste processo: "Sujeito-me, não me queixo, a todo o escrutínio, a toda a avaliação, mas nunca ninguém foi tão transparente como eu fui".

"Continuarei a ser e continuarei a agir como sempre agi, como até aqui, nunca farei a ninguém aquilo que me quiseram fazer a mim", afirmou.

Procurando fazer um contraponto com os seus adversários políticos, sem nunca os nomear, o líder do PSD disse não querer "impor o seu pensamento ou projeto a atacar os outros". "Eu estou aqui para apresentar soluções e executar o que proponho", disse.

"O resultado não está garantido"

Na reta final da sua intervenção, Montenegro deixou o derradeiro apelo ao voto em nome da estabilidade, que fez ao longo de toda a campanha, enfatizando que a situação internacional é de "instabilidade e de perigo".

"Eu sei que as portuguesas e os portugueses são os primeiros a querer alcançar essa estabilidade e a ter um governo que possa ter a oportunidade de executar o seu programa e ser depois julgado por isso. Eu confio na vossa avaliação. Eu confio no vosso juízo. Eu confio na vossa decisão", referiu.

Apesar de dizer saber que a AD vai vencer as eleições de domingo, afirmou, contudo que "o resultado não está garantido".

"Quem quer atingir o objetivo da estabilidade terá apenas a oportunidade de o fazer quando colocar uma cruzinha no boletim de voto no próximo domingo. Não há ninguém que vá votar em nome de ninguém. Cada um é detentor do seu voto", disse.

Montenegro deixou elogios ao povo português, afirmando que é "particularmente inteligente em votar para atingir os objetivos que quer".

"Eu sei que nós vamos ganhar as eleições, mas ainda que as não ganhássemos, tudo aquilo que nos deram, tudo aquilo que nos dão já é suficiente para eu ir de coração cheio, para eu ir tranquilo por termos um grande país, um grande povo que será sempre, em todas as circunstâncias, capaz de construir um grande país", afirmou.

Imigrantes "que cumpram as regras"

Tal como fez ao longo dos últimos quinze dias, deixou uma palavra especial quer para os jovens -- discursou num palco com vários atrás -- e para os mais velhos.

"Queremos que eles se levantem seguros, confiantes no nosso compromisso solene de que em Portugal não há uma pensão que vá diminuir o seu valor. Todas vão aumentar, todos os anos, todas. É um compromisso de honra", afirmou.

Montenegro prometeu ainda, conforme está no programa, continuar a reforçar o Complemento Solidário para Idosos e, "quando as finanças públicas o permitirem", dar um "suplemento extraordinário" aos pensionistas que recebem menos.

"Eu sei que os mais incautos queriam que nós assumíssemos esse compromisso de forma permanente (...) Mas não vamos colocar em causa a sustentabilidade da Segurança Social nem o pagamento das pensões, que era aquilo que alguns desejavam que nós fizéssemos", afirmou, numa referência implícita ao seu principal adversário, o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, que nunca nomeou.

No entanto, o maior aplauso do Campo Pequeno, com bancadas muito compostas mas sem encher, foi para a passagem do discurso de Montenegro sobre a imigração, apesar de ter repetido as mesmas mensagens.

"Vem para cá quem cumpre as regras. E nós, com dignidade e humanismo, acolhemo-los de braços abertos. Mas há uma certeza, quem não cumprir as regras, quem não estiver legal vai ter de sair de Portugal", afirmou.

Montenegro defendeu que, para exigir o cumprimento das regras, "as regras têm mesmo de ser cumpridas".

"E quem não as cumpre tem de ter uma consequência. Uma sociedade que tem regras e que não tem consequência para o incumprimento das regras é uma sociedade que é uma balbúrdia, que foi aquilo que nos deixaram no caso da imigração", afirmou, recebendo um grande aplauso dos milhares que estiveram no comício de encerramento.

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