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"Inaceitável". César das Neves diz que Chega não pode definir revisão constitucional

22 mai, 2025 - 21:30 • Miguel Coelho , Olímpia Mairos

O economista sustenta que o partido de André Ventura "não pode ser do sistema nem pode definir o sistema, porque é antissistema”.

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O economista João César das Neves diz que não se pode pôr nas mãos do Chega a revisão constitucional.

No seu espaço de comentário na Renascença, o professor universitário mostra-se indignado argumentando que, sendo o Chega um partido antissistema, não pode fazer parte nem definir o sistema democrático.

Sinceramente acho inaceitável. Acho inaceitável porque o Chega é um partido antissistema. Foi com isso que lhe deu um grande poder, deu uma grande influência, porque é antissistema. Uma data de gente que votou contra o sistema. Por isso mesmo, não pode ser do sistema nem pode definir o sistema, porque é antissistema”, argumenta o economista.

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César das Neves recorda a História e compara a situação política atual com a vivida em 1975 para defender que as forças democráticas devem agir com sabedoria para rejeitar a influência de extremismos: “Foi exatamente o que aconteceu aquando das primeiras eleições democráticas, em 75. O Álvaro Cunhal falou em maioria de esquerda e Mário Soares foi suficientemente inteligente para perceber que alguém que é contra o sistema não pode depois pertencer ao sistema.”

"Por isso, Soares governou em minoria vários anos, para não dar essa influência à extrema-esquerda”, completa.

“Agora temos a situação invertida. É extraordinário: passaram exatamente 50 anos e a situação inverteu-se. É preciso, por parte das forças democráticas, um conhecimento e uma sabedoria para recusar essa ideia e já”, alerta.

Sobre o risco de uma mudança de regime, como algumas vozes do PS já sugeriram, César das Neves diz que qualquer resultado poderá ser interpretado como um passo nessa direção. Além disso, há receio de que mudanças atuais abram precedentes perigosos, permitindo futuras alterações constitucionais por outras maiorias, o que é considerado “inaceitável”.

É evidente que não se pode fazer uma revolução constitucional apoiada por alguém que quer subverter todo o sistema. Não me faz lógica nenhuma, sinceramente”, destaca.

“E depois, ainda por cima, abrimos a porta que amanhã várias coisas mudarem, vai haver uma maioria do outro lado e lá vai a Constituição outra vez a ser mudada. E isto não é aceitável, não pode ser”, completa.

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