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Pedro Nuno Santos pede ao PS “reflexão estrutural” e avisa sobre “problema sério” da imigração
24 mai, 2025 - 14:02 • Susana Madureira Martins
Ex-líder avisou a Comissão Nacional do PS que dirá “sempre” o que pensa, apesar de ainda não ter decidido se irá suspender ou renunciar ao mandato de deputado à Assembleia da República.
O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, disse este sábado à Comissão Nacional, o órgão máximo entre congressos, que o partido precisa de “olhar para lá do imediato” e de fazer uma “reflexão estrutural” para que os portugueses “voltem a confiar” no PS.
Um dos temas específicos sobre o qual Pedro Nuno Santos aconselha o PS a fazer uma “reflexão estrutural” é sobre a imigração. Ao que a Renascença apurou, o ex-líder do partido disse na reunião deste sábado, que decorreu à porta fechada, que a “não entrada” de imigrantes no país “tinha tido consequências grandes na economia, mas a entrada como aconteceu cria tensões” sociais.
No último discurso como secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos faz mesmo uma crítica ao PS, lamentando que não tenha feito “investimento no Estado social”, considerando essa como a “única forma de diminuir a tensão”.
O problema é “sério”, considera o agora ex-secretário-geral do partido, avisando que a posição do PS sobre imigração “nunca será a mesma da direita”, mas salienta que “não lidamos com ele fazendo de conta que não existe ou que fizemos tudo bem”, salientou Pedro Nuno Santos, rematando: “Não fizemos”.
O agora ex-secretário-geral do PS voltou ao tema da imigração nas declarações que fez aos jornalistas à saída da Comissão Nacional referindo que uma entrada “tão grande em tão pouco tempo criou outro tipo de tensões e temos de saber lidar com elas”.
Ainda em declarações aos jornalistas, Pedro Nuno Santos aconselhou mesmo o partido a “olhar para trás, reconhecer o que correu mal e o que correu bem”, mostrando-se convicto que o PS só irá “recuperar a confiança dos portugueses quando perceber o que correu mal”.
"Direi sempre o que penso. As responsabilidades são muitas desde logo minhas"
Ainda na reunião do partido na sessão da Comissão Nacional, Pedro Nuno Santos avisou que dirá “sempre” o que pensa, apesar de ainda não ter decidido se irá suspender ou renunciar ao mandato de deputado à Assembleia da República, e assumiu “responsabilidades” pelas razões “profundas” do resultado eleitoral de domingo.
Considerando junto do partido que a campanha “correu melhor” e que o partido se “mobilizou”, Pedro Nuno Santos assumiu que “não foi suficiente” para vencer as legislativas de domingo, após um ano de oposição e apesar de conseguir “passar propostas importantes” e dar “condições” ao Governo da AD.
Em relação à moção de confiança, que levou à queda do executivo de Luís Montenegro, o ex-secretário-geral disse que “não” está arrependido e que há “momentos em que temos de fazer o que é decente”.
Aos jornalistas, Pedro Nuno Santos voltou a este tema, defendendo que “numa democracia avançada, o primeiro-ministro não seria primeiro-ministro". Para o ex-líder socialista, é “impensável dar condições a um homem que não devia estar a exercer nenhum cargo público em Portugal”.
Esta posição vai em contra-corrente com o que tem sido defendido por dirigentes do partido, nomeadamente o próprio presidente do PS, Carlos César, que já disse publicamente que os socialistas devem viabilizar o programa de Governo.
Para o futuro, Pedro Nuno Santos diz ainda que “muitos portugueses não tiveram transformação na sua vida ao longo dos anos e está zangada”, sendo essa uma “reflexão importante” que o PS precisa de fazer, assumindo que o “crescimento económico não chegou à maioria dos portugueses”.
O ex-líder socialista disse ainda à Comissão Nacional que tem “responsabilidade máxima como militante para falar dos problemas do povo”. Assumindo que não irá abster-se de dizer "sempre" o que pensa, Pedro Nuno aconselha o PS a fazer uma “reflexão profunda” para “recuperar” a confiança dos portugueses e admite que “não será um trabalho fácil”.
Ao futuro secretário-geral do partido, Pedro Nuno Santos desejou os “maiores sucessos”, garantindo que o PS “continua” a contar consigo, rematando com um “cá estarei”.
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