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Presidenciais 2026

Gouveia e Melo apresenta candidatura a Belém: "Não consegui ficar de braços cruzados"

29 mai, 2025 - 20:06 • Tomás Anjinho Chagas

Almirante na reserva vinca que esteve "sempre que o país chamou" e afirma que "precisamos de um presidente diferente" e "acima" dos interesses partidários. Salão na Gare Marítima de Alcântara está cheio e com figuras da direita ao centro-esquerda.

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[em atualização]

Henrique Gouveia e Melo afirma que Portugal "precisa de um presidente diferente" e promete cumprir a Constituição, caso venha a ser eleito presidente da República.

O Almirante, agora na reserva, apresenta, esta quinta-feira à noite, a sua candidatura às presidenciais do início de 2026, que já tinha anunciado em entrevista à Renascença.

O salão da Gare Marítima de Alcântara esteve cheia, com figuras da direita ao centro-esquerda, como Francisco Rodrigues dos Santos, antigo líder do CDS, Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras ou Francisco George, antigo presidente da Cruz Vermelha, foram só alguns dos presentes na sala.

O "apelo genuíno"

Gouveia e Melo garante que sentiu "um apelo espontâneo, genuíno e persistente" nos últimos três anos para concorrer à presidência da República, vinca que o contexto internacional é "incerteza e perigo no horizonte" e conclui: "Não consegui ficar de braços cruzados".

"As democracias são atacadas de fora e corroídas por dentro. Portugal não está imune, são sinais de cansaço, desânimo e desencanto na nossa jovem democracia. E é por tudo isto que aqui estou", resume assim a sua decisão.

O discurso teve 15 minutos, e foi entrecortado por vários e fortes aplausos.

Gouveia e Melo puxa dos galões e lembra o tempo em que liderou a task force para a vacinação contra a Covid-19: "Estive sempre onde o país me chamou", lembra. E acrescenta que esteve "no meio das cinzas" nos violentos incêndios de Pedrógão, em 2017.

Um "Presidente diferente", mas que não governa

Logo depois explicou ao que vem, ao defender que "Portugal, agora mais do que nunca, precisa de um Presidente diferente", traçando já as diferenças para o atual inquilino do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa.

Gouveia e Melo quer "unir os portugueses", ser um presidente "estável, confiável e atento", dizendo que quem ocupa este cargo tem de estar "acima de disputas partidárias".

E numa nova separação das águas com Marcelo Rebelo de Sousa, defende que o presidente deve fazer-se ouvir, mas que use a palavra "com contenção, com propriedade", dizendo que este é "porventura o seu maior poder".

Em resposta a críticos e a Marques Mendes, seu adversário e candidato que deverá ser apoiado pelo PSD, Gouveia e Melo assegura que "respeitará os partidos políticos" e a separação de poderes, porque assume: "O presidente da República não governa".

Palavra sobre emi e imigrantes

Gouveia e Melo abordou ainda a imigração, um dos temas que marcou a campanha das legislativas. Apesar de não ser muito concreto, o candidato presidencial acredita que "temos portugueses a brilhar no estrangeiro e imigrantes que escolhem Portugal como casa".

O antigo militar afirmou que "Portugal merece mais e, certamente, pode mais" e pede para as pessoas não se resignarem: "Não temos de ser pobres".

Defesa "sólida", mas sem alarmismos

Passando levemente por todas as áreas, Gouveia e Melo - que chegou a admitir ser a favor do regresso do serviço militar obrigatório em Portugal- pediu uma "defesa nacional moderna, sólida e tranquila, sem alarmismos, sem ingenuidades".

Numa alusão à sua carreira na Marinha, Gouveia e Melo prometeu aos portugueses que podem contar com ele e disse: "Por este Portugal, onde a terra acaba e o mar começa, vamos fazer o futuro de Portugal a nossa causa comum".

A decisão de Gouveia e Melo avançar com a candidatura a Presidente da República foi feita em exclusivo à Renascença, a 14 de maio, quando anunciou o dia da apresentação para esta quinta-feira.

Na altura, disse que, se for eleito, "pode contribuir de forma muito decisiva para a estruturação da política de médio e longo prazo, com uma visão estratégica, e para as reformas estruturais que há muitos anos estão por fazer na sociedade portuguesa".

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