Parlamento
Chega viabiliza Aguiar Branco e promete "alterações" na liderança parlamentar
02 jun, 2025 - 20:38 • Diogo Camilo e Lusa
André Ventura garantiu que o partido vai viabilizar a escolha do PSD para a presidência da Assembleia da República e avançou que o partido vai dar início ao processo de eleição de uma nova liderança parlamentar, sem garantir que Pedro Pinto faça parte da mesma.
O Chega vai viabilizar esta terça-feira o nome de Aguiar Branco para a presidência da Assembleia da República e na quarta-feira elege uma nova liderança da bancada, com André Ventura a deixar no ar se Pedro Pinto se manterá como presidente do grupo parlamentar.
Em declarações aos jornalistas no Parlamento, Ventura disse ter transmitido a Aguiar Branco que, "após as conversações que existiram entre as bancadas para o início em funções do novo parlamento, o Chega daria suporte e daria anuência à indicação do partido mais votado, neste caso a AD, para os órgãos de gestão da Assembleia da República".
Ventura disse ainda que o Chega não irá avançar com candidatura a presidente da Assembleia da República, por entender que "houve um partido com mais votação" e que "deve caber a essa coligação a apresentação do candidato a presidente da Assembleia da República" - neste caso, o PSD.
A eleição decorrerá na terça-feira à tarde, naquela que será a primeira reunião plenária da XVII Legislatura.
Sobre os candidatos do Chega para a Mesa da Assembleia da República, Ventura afirmou que o partido vai indicar os mesmos deputados. Na legislatura que agora termina, Diogo Pacheco Amorim foi um dos vice-presidente da Assembleia da República, Gabriel Mithá Ribeiro foi secretário da Mesa e Filipe Melo exerceu a função de vice-secretário.
André Ventura disse também que o Chega transmitiu ao PSD que "não vai exigir nenhuma rotatividade no mandato de presidente da Assembleia da República, tal como aconteceu entre o PS e o PSD no mandato passado".
Na legislatura que termina esta segunda-feira, o acordo de rotatividade entre PSD e PS sobre o presidente do parlamento resultou do facto de ambos terem o mesmo número de deputados, o que não acontece desta vez entre os sociais-democratas e o Chega. Ainda assim, a interrupção da legislatura impediu que o acordo se concretizasse na plenitude com o PS a presidir aos trabalhos da Assembleia da República.
Mesmo assim, o líder do Chega considerou que "não faz sentido" que um presidente da Assembleia da República "assuma a meio termo uma função" e não durante toda a legislatura, independentemente de quanto tempo venha a durar.
"O que foi feito na legislatura passada entre o PS e o PSD corresponde àquilo que de pior tem a política em termos de distribuição de lugares", criticou. Ventura afirmou também que "a prioridade do Chega não é negociar lugares, nem garantir presidências". O presidente do Chega alertou, no entanto, que "não significa um cheque em branco". .
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"O não querermos lugares e o não estarmos a exigir lugares não significa que não vamos fiscalizar o presidente da Assembleia da República, que ele não tenha que agir de acordo com a nova representatividade", afirmou, indicando ter tido, por parte de Aguiar-Branco, "garantias" de que "respeitaria integralmente este novo quadro político e este novo quadro de representatividade".
Ventura antecipa "alterações no grupo da liderança parlamentar"
Nas declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o presidente do Chega indicou que o partido "reunirá na quarta-feira todos os seus deputados e dará início ao processo de eleição de uma nova liderança parlamentar".
André Ventura antecipou "alterações no grupo da liderança parlamentar", mas não quis concretizar, remetendo para mais tarde a sua indicação sobre quem deverá liderar a bancada do Chega.
"Na quarta-feira direi aos deputados aquilo que, na minha perspetiva, deve ser a nova liderança parlamentar para os próximos anos, nomeadamente tendo em conta que existirá um governo-sombra, indicado pela direção do partido, e que deve conseguir haver harmonia plena entre a bancada parlamentar e este novo governo-sombra, que vai também fiscalizar a atividade do governo e que vai intervir em áreas como a saúde, a habitação, a educação, os transportes, a imigração", afirmou.
O líder do Chega considerou que Pedro Pinto teve "uma boa liderança de bancada", que correspondeu às suas expectativas, enquanto líder do partido, e também da Direção Nacional. "A liderança de bancada fez um bom trabalho e essa avaliação será feita também na próxima quarta-feira. E também na próxima quarta-feira direi, claro, qual é a minha perspetiva para essa bancada nos próximos anos.
No entanto, teremos uma nova circunstância e essa circunstância é um governo-sombra e a importância da articulação levanta novos desafios à direção do partido, à liderança de bancada e aos deputados", referiu também.
Pedro Pinto lidera a bancada do Chega desde 2022, quando o partido conseguiu pela primeira vez um grupo parlamentar com 12 deputados. Nesta legislatura, foram eleitos como "vices" da bancada parlamentar do Chega os deputados Rui Paulo Sousa, Rita Matias, Jorge Galveias e Marta Silva.
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