Tomada de Posse do XXV Governo
Marcelo dá posse a Montenegro: "Foi uma vitória, mas não foi um cheque em branco"
05 jun, 2025 - 18:17 • Tomás Anjinho Chagas
No último discurso numa tomada de posse, Marcelo avisou Montenegro que terá de apostar no "diálogo" se quiser dar "estabilidade" ao país e vinca que os portugueses "penalizaram" o PS nas eleições de 18 de maio.
"As eleições de 18 de maio foram claras nas lições que nos deram", afirmou, esta quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa.
As declarações do presidente da República foram feitas durante o discurso de tomada de posse do Governo de Luís Montenegro, esta quinta-feira, no Palácio da Ajuda, onde decorreu a cerimónia.
Ao referir-se a lições, o presidente da República enumerou-as: a primeira é que as novas eleições não baixaram a participação, dado comprovável pela abstenção. A segunda lição é que os portugueses não consideraram que o caso Spinumviva fosse suficiente para afastar Luís Montenegro do poder.
"Os resultados mostraram que o juízo coletivo reforçou a confiança política nele", e lembra que o próprio líder do PSD "personalizou" a campanha eleitoral, numa alusão ao "Deixem o Luís trabalhar", um dos slogans da campanha da AD.
No entanto, Marcelo Rebelo de Sousa vinca que se tratou de um "juízo político", porque os juízos "jurídicos e do foro judicial não estavam em apreciação". Ou seja, o presidente da República não olha para as eleições como uma ilibação judicial do que se conhece ou do que se venha a conhecer relacionado com a empresa na esfera familiar do primeiro-ministro.
"Não foi cheque em branco"
Não obstante, o Chefe de Estado lembra que a vitória da AD não foi uma maioria absoluta, o que significa que Luís Montenegro terá de encontrar soluções negociadas.
Ao seu estilo, Marcelo Rebelo de Sousa deixou um aviso ao renovado primeiro-ministro: "Foi uma vitória impressiva, mas não foi um cheque em branco".
O Presidente da República justifica a razão de chamar "impressiva" à vitória da AD: por ter sido pouco depois das últimas eleições, pelo caso Spinumviva, pela "divisão" da direita e pela forma como caiu o último Governo.
"Os portugueses premiaram o que consideraram melhor, mais seguro, ou menos arriscado, mas sem converterem o crédito adicional em crédito ilimitado", vinca Marcelo Rebelo de Sousa.
Portugueses "penalizaram" PS
Marcelo vinca que as lideranças "não são eternas", lembrando implicitamente que o Chega se está a impor entre PS.
"Os portugueses penalizaram a força política que havia governado Portugal desde 1995 até 2024, quase 30 anos, salvo dois períodos", atira o presidente da República.
Marcelo Rebelo de Sousa vinca que foi o PS a governar durante a maioria dos 51 anos de democracia, e considera que as eleições de 18 de maio são "um fim desse ciclo e um virar de página".
"As fórmulas, as forças políticas e as lideranças não são eternas", remata o Chefe de Estado.
Crescimento do Chega: as explicações do PR
Sendo o "enfraquecimento dos partidos clássicos" uma das lições que Marcelo considera que o país tem de tirar das eleições do mês passado, numa referência clara à subida do Chega, agora segundo maior partido em Portugal.
O presidente da República fez uma longa descrição da última década em Portugal, para dizer que a ascensão da direita radical no nosso país aconteceu "mais tarde, mas mais aceleradamente". Para isso ter acontecido, Marcelo encontra várias razões.
"De 2022 a 2025 foi um galope", descreve. Marcelo refere-se ao envelhecimento da população, ao arranque económico aliado à extinção do SEF, que gerou "um salto da emigração por regularizar".
Além disso, o presidente da República considera que o "turismo residencial explodiu" e que isso dificultou o acesso à habitação no nosso país. E que tudo isto levou a uma "administração pública e justiça descompensadas" porque "concebidas" para o passado, e não para o presente.
Marcelo lamenta que muitos tenham aderido ao "medo, incompreensão e rejeição" em relação à imigração, e sublinha que muitos dos imigrantes que entraram em Portugal nos últimos anos estão "regularizados" e a contribuir para a economia nacional.
É o último discurso de Marcelo Rebelo de Sousa numa tomada de posse, uma vez que o mandato do Presidente da República termina no início de 2026, e até lá não pode haver convocação de novas eleições antecipadas.
Luís Montenegro já tomou posse como primeiro-ministro e líder do XXV Governo Constitucional. Os 15 ministros também tomaram posse esta tarde.
Uma "meta ambiciosa" de Montenegro
O presidente da República considera ainda que os resultados de dia 18 de maio são uma "vitória personalizada" de Luís Montenegro, e reconhece que o líder do novo Governo tem tentado resolver os problemas mais graves do país, no entanto, acredita que a "meta é bem mais ambiciosa".
"Vossa excelência já demonstrou que é determinado e resistente", remata o Chefe de Estado, e deixou a garantia: "Conta com a solidariedade do presidente da República e com a expectativa do povo".
Marcelo pede "diálogo com vista à estabilidade e durabilidade" do Governo e deseja um "voto muito sincero" de êxito a Montenegro, que agora lidera o seu segundo Governo.
- Noticiário das 1h
- 18 mai, 2026






