PRESIDENCIAIS 2026
Na caça aos independentes, Seguro garante apoio de antigos presidentes da Transparência Internacional
11 jun, 2025 - 07:00 • Susana Madureira Martins
Luís de Sousa, Susana Coroado e Nuno Cunha Rolo apoiam candidatura a Belém do ex-secretário-geral do PS “porque o desafio da Presidência da República não pode ficar à mercê de experimentalismos”.
“Eu não venho da política tradicional”. Com esta frase no vídeo de apresentação da candidatura às presidenciais de 2026, António José Seguro tentou colocar-se num patamar fora dos partidos, referindo mesmo a sua “independência” em relação aos “jogos partidários”. É nessa busca de tentar mostrar que não está dependente do PS para a corrida a Belém que o ex-líder socialista começa a divulgar apoios de independentes à sua candidatura.
Seguro acaba de garantir o apoio dos três antigos presidentes da delegação portuguesa da Transparência Internacional, Luís de Sousa, Susana Coroado, Nuno Cunha Rolo. Trata-se da maior organização mundial de organizações da sociedade civil dedicadas a combater a corrupção, um dos temas recorrentes nas intervenções públicas do ex-secretário-geral do PS.
Na declaração de apoio a Seguro, a que a Renascença teve acesso, os três ex-presidentes da Transparência Internacional, defendem que o ex-líder socialista “defende causas justas e já demonstrou ser possível fazer política com seriedade e respeito pelas pessoas”.
Defende-se ainda no documento que Seguro tem tido uma “trajetória” que “reflete uma preocupação coerente e constante com a ética na política e uma defesa consistente da transparência como valor fundamental na esfera pública”.
Para estes antigos líderes da Transparência Internacional, é preciso que na Presidência da República esteja “alguém que pense a democracia, que defenda as liberdades e garantias do Estado de Direito” e o ex-líder socialista é “essa pessoa”.
“Porque o desafio da Presidência da República não pode ficar à mercê de experimentalismos”, os três académicos e juristas manifestam o apoio “incondicional” à candidatura de António José Seguro.
Seguro ter trajetória política “não é defeito, é valência”
Numa altura em que o PS ainda não decidiu quem vai apoiar nas presidenciais e com Seguro já no terreno à espera de um sinal dos socialistas, mesmo que o partido leve “todo o tempo do mundo” para tomar uma decisão, surge estranho que o ex-líder socialista se coloque num patamar de independência partidária.
Em declarações à Renascença, Luís de Sousa, ex-líder da Transparência Internacional e investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, independente que agora se declara apoiante de Seguro diz que o aparente paradoxo é “muito simples” de explicar.
“Vamos lá a ver, o ter uma trajetória política não é um defeito, é uma valência” para exercer o cargo de Presidente da República, começa por defender Luís de Sousa. “O quadro de valores do candidato é mais amplo do que são os interesses e as expectativas do partido”, justifica, referindo que o Presidente da República “tem que fazer um apelo mais geral”, por exemplo, aos independentes.
Assim, o candidato presidencial, e neste caso António José Seguro, na opinião deste académico, que se assume como independente, “não pode ser uma pessoa que fica amarrada a interesses partidários ou a perspetivas de um só partido ou de uma só ideologia”. Chegado aqui, “não há nada de grave nessa trajetória, bem pelo contrário”, considera Luís de Sousa.
Com um pé fora e outro dentro do sistema, a situação de Seguro, que se coloca à margem da “política tradicional”, permite-lhe “conhecer os atores, os processos, as instituições com as quais vai ter de interagir para exercer a sua magistratura e ser uma garantia de estabilidade para o país e não ter de ficar amarrado a uma perspetiva”, conclui Luís de Sousa.
O deputado "contra a corrente" - da lei do financiamento dos partidos ao limite de mandatos autárquicos
Como exemplo de que António José Seguro consegue ser supra-partidário e decidir mesmo contra as orientações do PS, Luís de Sousa dá exemplos de posições do antigo deputado socialista que considera provarem essa independência. A votação da alteração à lei do financiamento dos partidos políticos é um desses casos.
Em 2009, Seguro votou contra o seu partido, “ele votou contra a corrente”, diz Luís de Sousa. “Não foi só contra o seu partido, foi contra a corrente, porque a alteração à lei de financiamento dos partidos representava um retrocesso para a transparência e ele manteve-se firme e votou contra essa alteração”, salienta o apoiante do candidato presidencial.
Luís de Sousa dá outro exemplo do que considera ser a capacidade de decisão equidistante de Seguro em que este se opôs a que lei de limitação de mandatos só se aplicasse ao município em questão, permitindo que os presidentes de Câmara que tinham exercido o poder até ao limite de mandatos poderiam candidatar-se no concelho vizinho.
O académico recorda que, após uma decisão do Tribunal Constitucional, Seguro “disse, ‘isto não é uma questão jurídico-constitucional, isto é uma questão política e, portanto, nas minhas listas não vão’. É uma posição dura, mas uma posição que vai ao encontro daquilo que eram as expetativas dos eleitores em termos de renovação das elites locais e da possibilidade de outras pessoas”, conclui Luís de Sousa.
São estes exemplos que suportam o apoio deste e de outros dois ex-líderes da Transparência Internacional a António José Seguro, que consideram já ter dado “provas” de “exigência” e de “respeito pelos bons valores da democracia” que podem ser o passaporte para se tornar o inquilino ideal de Belém.
- Noticiário das 18h
- 06 jun, 2026







