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Adesão à CEE "valeu a pena? Claro que sim", diz Marcelo

12 jun, 2025 - 18:01 • Lusa

Presidente da República faz balanço positivo, apesar de identificar que foram cometidos erros. Já o primeiro-ministro, Luis Montenegro, alerta para os perigos do populismo. Marcelo e Montenegro foram alguns dos presentes na cerimónia realizada no Mosteiro dos Jerónimos.

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O Presidente da República considerou esta quinta-feira que a adesão de Portugal à União Europeia deixou de ter vozes críticas, porque os seus opositores perceberam que foi uma boa decisão, e é hoje consensual no plano político-partidário.

Marcelo Rebelo de Sousa discursava numa cerimónia comemorativa dos 40 anos da adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), no claustro do Mosteiro dos Jerónimos, o mesmo lugar onde foi formalizada essa adesão, em 12 de junho de 1985, que entraria em vigor em 1 de janeiro de 1986.

"Decorridos estes anos, valeu a pena? Claro que sim", declarou o chefe de Estado.

"Aqueles que durante anos se opuseram à adesão compreenderam, pouco a pouco, que a decisão fora boa, boa para os portugueses e boa para Portugal. E as vozes que tinham exigido a saída da CEE e da União Europeia calaram-se e são hoje inaudíveis", considerou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "não apenas os principais partidos parlamentares portugueses, mas genericamente todos os partidos parlamentares portugueses integram este consenso".

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O Presidente da República saudou as "três gerações de políticos" presentes no Mosteiro dos Jerónimos que "negociaram, aplicaram, traduziram a adesão em melhoria das condições de vida dos portugueses".

Na assistência estavam, entre outros, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o seu antecessor e atual presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, que discursaram antes.

Marcelo Rebelo de Sousa ressalvou, porém, que não considera que foi tudo perfeito na integração de Portugal no projeto europeu.

"Claro que não. Erros foram cometidos, por vezes passos foram dados sem o devido apoio e explicação, muitas vezes até a tecnocracia impôs-se à política, criando distâncias entre Bruxelas e os europeus", apontou.

Quanto ao presente, elencou como desafio "manter esse caminho, adaptando-o às novas realidades, dando novas respostas aos novos problemas", sem nunca "esquecer a identidade do projeto europeu, os valores, os princípios e os métodos de ação da Europa".

Montenegro preocupado com crescimento do extremismo

Também presente na cerimónia, o primeiro-ministro apontou o crescimento dos populismos e extremismos como "um dos mais sérios desafios" que Portugal e a União Europeia enfrentam, considerando-os que são "uma ameaça direta" às instituições democráticas.

Luís Montenegro admitiu que o país "nem sempre aproveitou devidamente" as oportunidades ao longo destes 40 anos e apontou outros problemas estruturais como "os desafios demográficos, as assimetrias territoriais, os desafios da habitação, da competitividade da economia e da valorização dos rendimentos".

"São questões que exigem coragem política, visão estratégica e, sobretudo, um compromisso renovado com o aprofundamento e fortalecimento do projeto europeu", disse.

No entanto, deixou um especial alerta sobre os populismos e extremismos, 51 anos depois 25 de abril e 40 anos após a adesão ao espaço europeu.

"Um dos mais sérios desafios que hoje enfrentamos é o crescimento de populismos e extremismos -- uma ameaça direta ao funcionamento das nossas Instituições democráticas e à coesão das nossas sociedades", disse.

Montenegro defendeu que, para o futuro, os cidadãos exigem "uma Europa aberta, mas segura, que responda aos desafios internos e externos de um mundo em profunda mudança", com uma nova crítica aos projetos demagógicos.

"Uma Europa unida, sem espaço para o populismo, os extremismos e a demagogia que nos tenta dividir e instrumentalizar. A celebração destes 40 anos é uma homenagem aos que sonharam com esta Europa unida", disse.

Na sua intervenção de cerca de dez minutos, Montenegro defendeu que, apesar de "a União Europeia não ser perfeita" e ser um projeto "em permanente construção", Portugal tem de recuperar a memória do trajeto construído ao longo dos últimos 40 anos.

"Portugal beneficia do projeto europeu, mas também o reforça todos os dias, pelo contributo que conferimos a cada passo que é dado nessa construção, pela nossa cultura, pela ciência e inovação, pela nossa diplomacia e pelo exemplo", defendeu.

Além de uma Europa segura, Montenegro considera que os cidadãos exigem ainda, para o futuro, "uma Europa competitiva, que promova a coesão e a convergência do desenvolvimento económico em benefício de todos" e que "permita que cada um dos cidadãos cumpra o seu projeto de vida, com igualdade de condições e oportunidades".

"A celebração destes 40 anos é uma homenagem aos que sonharam com esta Europa unida", afirmou.

Agradecendo aos que trabalharam para que Portugal fosse parte "desse sonho e desse projeto fascinante" e "aos que continuam hoje a construir uma sociedade mais desenvolvida, coesa e solidária", Montenegro defendeu que "Portugal, a União Europeia e o mundo continuam a precisar do empenho de todos os cidadãos para continuarmos a construir uma Europa próspera, mais justa e mais influente no mundo".

"Não há progresso sem memória. Não há futuro sem compromisso. Celebremos a memória de Portugal na Europa. Celebremos os 40 anos de adesão como um marco, mas também como um ponto de partida para este futuro partilhado, com ambição, responsabilidade e esperança", disse.

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