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Partido Socialista

Carneiro entrega moção, César reconhece que liderança do PS “não é tarefa fácil” e que partido “precisa de união”

12 jun, 2025 - 17:36 • Susana Madureira Martins

Tarefas de José Luís Carneiro à frente do PS serão “difíceis, de reconciliação não só com os militantes, de reconciliação não só com os eleitores, mas com a cidadania em geral”, antecipa Carlos César.

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Com o fundador do PS José Leitão ao lado a carregar três dossiês de cartão com “milhares” de assinaturas de apoio à candidatura de José Luís Carneiro à liderança dos socialistas, o ex-ministro da Administração Interna prometeu esta quinta-feira “responsabilidade com os valores fundadores” do partido.

“Não é uma tarefa fácil, nem uma decisão fácil de alguém se candidatar à liderança do partido, depois do que nos aconteceu no último ato eleitoral e com as debilidades que ficam naturalmente associadas a este momento menos feliz da nossa história eleitoral”, sentenciou logo a seguir Carlos César, o presidente e secretário-geral interino do PS.

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Falando ambos numa sessão de entrega da moção de orientação política de Carneiro, tendo ainda ao lado João Paulo Rebelo e Pedro Vaz, dois membros do secretariado nacional e núcleo duro do anterior líder do PS, Pedro Nuno Santos, o presidente socialista definiu a responsabilidade “elevada” de todos: “Nós não somos dirigentes nem militantes de um partido qualquer”. O PS tenta assim procurar o lugar que perdeu com o colapso eleitoral de 18 de maio.

O primeiro passo, segundo Carlos César, está a ser dado com a eleição do novo secretário-geral, de modo a “consolidar e restabelecer a normalidade institucional” na gestão e direção do partido.

Em paralelo, e como segundo passo, o líder interino do PS pede união ao partido. César tem prometido neutralidade, mas assume que vê na candidatura de Carneiro “um fator de unidade, um fator de congregação de todos os socialistas, tenham eles sido apoiantes desta ou daquela candidatura”.

Aos que como Mariana Vieira da Silva, Fernando Medina ou Duarte Cordeiro tentaram uma segunda via e que o partido refletisse primeiro sobre o rumo a tomar, Carlos César deixa o recado: “É preciso unir” o PS, "sem prejuízo dessa união ser fundada num debate profundo e sério sobre o seu papel na sociedade portuguesa e sobre o papel que o Partido Socialista aguarda e deseja para Portugal no seu interior e na sua relação externa”.

Autárquicas como “demonstração” de que PS é a alternativa à AD

Num discurso em que Carlos César teve uma forte mensagem política, sobretudo para dentro do partido, assumindo que foi para lá das declarações de “circunstância” ao lado de José Luís Carneiro, o presidente socialista traça as eleições autárquicas do outono como a prioridade imediata para os socialistas. É esse o terceiro passo, depois de eleger o novo líder e de unir o partido.

Os candidatos autárquicos têm as campanhas no terreno há meses e, no fundo, é preciso não estragar e “consolidar um trabalho em curso”. Trata-se de uma eleição “fundamental”, avisa César, em que o partido tem de contar com todos, “acolhendo socialistas e não socialistas, gente de bem, gente que preza a cidadania, gente que se compagina com os objetivos do PS”.

Definindo as autárquicas como críticas para o futuro imediato do partido, Carlos César diz que estas são eleições que representam “cumulativamente a demonstração de que, em Portugal, a alternativa à AD é o PS e não forças populistas, extremistas ou radicais que minam a sociedade portuguesa”.

De resto, ao longo dos quase dez minutos de discurso na sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa, os populismos e os extremismos foram visados por duas vezes pelo líder interino do PS sem, contudo, nomear o Chega, falando de uma ordem europeia em que a “democracia, a pluralidade das culturas e a pluralidade das nações estão em causa, com a ascensão de forças populistas e extremistas que fragilizam a unidade europeia, que fragilizam a Europa politicamente unida”.

Como terceira força política, após as eleições legislativas de maio, os socialistas querem reconquistar a “confiança” do país. “A responsabilidade de o PS se reconstituir como um fator de confiança na democracia, como um fator de confiança perante os portugueses”. “Confiança” foi o slogan de campanha de António Costa para as legislativas de 2015 que o PS viria a perder.

Para Carneiro, que tudo indica será o próximo líder socialista, as tarefas serão “difíceis, de reconciliação não só com os militantes, de reconciliação não só com os eleitores, mas com a cidadania em geral, nas suas novas formas e nos seus novos exercícios, com as instituições em geral, no relacionamento interpartidário, em todas as dimensões em que os partidos são fundamentais”, antecipa César.

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  • manuela
    12 jun, 2025 lisboa 22:25
    mais um partido que irá baixar muito considerável nas eleições,irá perder lentamente muitos deputados.o sentido de voto está a mudar.

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