Parlamento
Chega admite comissão de inquérito à "atribuição criminosa" de nacionalidade
16 jun, 2025 - 17:00 • Tomás Anjinho Chagas
Líder do Chega exemplifica com o caso de cidadãos portugueses que morreram no acidente aéreo na Índia e nunca tinham estado em Portugal. André Ventura quer chamar António Costa, José Luís Carneiro e Luís Montenegro ao Parlamento.
O líder do Chega, André Ventura, admite forçar uma Comissão Parlamentar de Inquérito à atribuição de nacionalidade e de vistos de residência.
Em causa está a morte de sete cidadãos com nacionalidade portuguesa num desastre aéreo na Índia, que não tinham família nem residiam em Portugal.
Em conferência de imprensa, esta segunda-feira, André Ventura, fala em "atribuição criminosa de nacionalidade", diz que vai questionar o primeiro-ministro esta semana no Parlamento, e pede um debate de urgência para a próxima sexta-feira. E admite ir mais longe.
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"Não excluo apresentar já nos primeiros dias da Legislatura uma Comissão Parlamentar de Inquérito, à investigação aos últimos governantes, todos eles, sobretudo a António Costa e a Luís Montenegro, em relação à atribuição de nacionalidade e de residência", revela o líder do Chega a partir da sede do partido, em Lisboa.
André Ventura fala numa "atribuição criminosa de nacionalidade que tem de ser escrutinada" e acredita que pode estar em causa um problema da lei e da aplicação da lei. Na eventual Comissão de Inquérito admite também chamar José Luís Carneiro, antigo ministro da Administração Interna, que agora é candidato à liderança do PS, e a quem acusa de ter uma "conversa sonsa" sobre o tema da imigração.
O líder do Chega rejeita que esteja em causa uma regra semelhante à que existia para os judeus sefarditas, em que se permitia aos descendentes obter facilmente a nacionalidade portuguesa sem terem de viver em Portugal.
"O que aconteceu foi mercadejar a nacionalidade portuguesa e a residência, desde 2017 sobretudo", afirma o presidente do Chega.
Sobre o programa de Governo, que começa a ser apresentado esta terça-feira no Parlamento, André Ventura fala num Executivo que "não é bom" e que não vai conseguir resolver os problemas de imigração, económicos e de corrupção que o país tem. No entanto, volta a assegurar que o Chega não vai votar a favor da moção de rejeição apresentada pelo PCP.
Ventura argumenta que o partido deve ter uma "atitude responsável", e lamenta que as medidas que o Governo "copiou" do Chega nunca cheguem a ser executadas e fiquem só pelo papel.
O elenco de Luís Montenegro apresenta o programa de Governo esta terça e quarta-feira, e no fim é votada a moção de rejeição apresentada pelo PCP - que tem, à partida, chumbo garantido.
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