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Autarcas portuguesas urgem maior participação política da comunidade no Reino Unido

27 jun, 2025 - 22:32 • Lusa

Carla Barreto afirmou que "o ganho que temos é de saber que estamos a fazer alguma coisa e a influenciar algo que possa melhorar condições de vida dos nossos vizinhos".

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Duas autarcas portuguesas no Reino Unido encorajaram hoje a comunidade portuguesa a uma maior participação política na sociedade britânica, apesar de reconhecerem que "não é tão glamoroso como pode parecer".

Numa sessão de sensibilização sobre participação cívica e direitos políticos organizada hoje na Embaixada de Portugal no Reino Unido, Carla Barreto e Isabel Araújo admitiram que existem desafios e disparidade nas regiões onde foram eleitas.

"Há muita falta de participação das comunidades migrantes, ou não se registam ou não votar, e a abstenção tem crescido", afirmou Barreto, que foi eleita em Thetford, no este de Inglaterra, pela primeira vez em 2019 como independente.

Na sua opinião, "só participando nas comunidades em que estamos inseridos é que vamos ter voz nas decisões que nos dizem respeito".

Porém, admitiu que a pressão elevada que vem com o cargo porque exige muita dedicação e o cumprimento de muitas obrigações.

"Não é glamoroso como pode parecer: não é pago, nem sequer ajudas de custo. É quase um "hobby", mas com um código de conduta", explicou.

Carla Barreto afirmou que "o ganho que temos é de saber que estamos a fazer alguma coisa e a influenciar algo que possa melhorar condições de vida dos nossos vizinhos".

Na região onde vive e exerce existe uma numerosa comunidade migrante de várias nacionalidades, incluindo vários milhares de portugueses, das quais quis ser uma "voz lá dentro".

Porém, esta semana, Barreto, que é desde maio Presidente da Câmara Municipal [Mayor] de Thetford, foi alvo de insultos racistas por parte de um crescente movimento anti-imigrante numa região que votou maioritariamente no "Brexit" no referendo de 2016.

Ser autarca "causa stress, não é fácil", confessou Barreto, devido às "ameaças diretas, à família", o que causa preocupação e "tira um bocado de sono".

Barreto recordou como a deputada trabalhista Jo Cox foi assassinada por um extremista de direita em 2016.

Mas a opção, vincou, é "ficar amedrontado, desistir e assim eles ganham", o que recusa.

Isabel Araújo reconheceu que a zona "de classe média-alta" onde foi eleita pelo partido dos Liberais Democratas em 2022, no subúrbio londrino de Sutton, é mais tolerante e por isso não sente xenofobia.

No entanto, concorda que ser eleito local "não é fácil" porque implica muitas reuniões e compromissos em horário pós-laboral e ao fim de semana, algo que não a desmotiva porque sente ter impacto na população.

"Eu não trocava por nada, mas é preciso ter vocação. É preciso que sejam pessoas que tenham empatia, que consigam perceber os problemas dos outros, e queiram retribuir", descreveu.

Atualmente, com funções de vereadora do pelouro do Ambiente e Transporte Sustentável, Araújo entende que ser portuguesa até pode ser vantagem porque tem duas experiências que pode comparar.

Apesar de Sutton ter uma comunidade portuguesa reduzida, a autarca defende que que zonas onde os portugueses são mais numerosos devem mobilizar-se, porque "juntos podemos ter mais influência na política local".

O encontro visou chamar a atenção para uma "questão que achamos que tem estado um pouco adormecida e sobre a qual achamos necessário haver este debate", salientou o conselheiro social da Embaixada, Fernando Sousa.

O diplomata condenou as "ações claramente discriminatórias" registadas em Thetford contra Carla Barreto, lamentando "comportamentos que não podem ser normalizados e devem ser censurados".

Atualmente, só são elegíveis para se candidatar e votar nas eleições legislativas britânicas imigrantes naturalizados, cidadãos de países da Commonwealth residentes e irlandeses com estatuto de residente.

Os europeus com estatuto de residente pós-Brexit estão limitados às eleições autárquicas.

Entretanto, Portugal, Espanha, Polónia, Luxemburgo e Dinamarca assinaram com o Reino Unido acordos bilaterais que garantem direitos políticos recíprocos em eleições autárquicas.

Segundo dados recolhidos pela Agência Lusa, estão atualmente em funções no Reino Unido pelo menos nove autarcas de origem portuguesa.

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