Presidenciais
Santos Silva está fora da corrida a Belém
02 jul, 2025 - 13:30 • Ana Kotowicz
O antigo presidente da Assembleia da República Augusto Santos Silva anunciou que não se vai candidatar às eleições presidenciais do próximo ano.
Para dar espaço a uma candidatura "mais forte, mais agregadora e mais abrangente" do que a sua candidatura seria, Augusto Santos Silva está fora da corrida a Belém. O socialista era um dos nomes apontados como potencial candidato às Presidenciais, mas, esta quarta-feira, numa entrevista à RTP3, Santos Silva foi claro: "Não, não serei candidato."
Na passada semana, Augusto Santos Silva tinha apontado que esta quarta-feira revelaria se era, ou não, candidato às eleições presidenciais de 2026. Não é. Durante a entrevista, o socialista deixou transparecer que espera que, nos próximos dias, surja uma nova candidatura a Belém e que, para que isso aconteça, é necessário que ele próprio não esteja na corrida.
Assim, com a sua retirada de campo, o antigo presidente da Assembleia da República espera estar a criar espaço para que um novo nome surja, já que considera que as candidaturas que existem não são suficientes. "É preciso uma nova candidatura. As que estão no terreno não bastam — nenhuma delas."
António José Seguro, também militante socialista, é um dos candidatos a Belém, enquanto que o socialista António Vitorino, um dos nomes que muitos no PS queriam ver avançar, também anunciou estar fora da corrida. E foi essa decisão de Vitorino que fez Santos Silva refletir sobre a sua eventual candidatura, explicou.
"António Vitorino declinou, o que lamento, pois me parecia uma hipótese bastante boa", disse, acrescentando que nos últimos cinco dias fez vários contactos e reflexões. E concluiu que não devia avançar. "A minha candidatura seria divisiva. Verifiquei que não tenho a capacidade de agregação."
"A melhor candidatura possível é a de uma personalidade independente"
Deixando claro que nenhum dos nomes na corrida — onde se inclui o de Seguro — tem o peso que considera ser necessário para ocupar a Presidência da República, Santos Silva traça o perfil de quem gostaria de ver como candidato. "Acredito que a melhor candidatura possível é a de uma personalidade independente, oriunda da sociedade civil, que possa colocar em cima da mesa os temas que precisamos de discutir", acrescentou.
"Quanto à candidatura independente — que acho ser a melhor que temos no vasto campo democrático — para que ela exista é necessária uma condição: que eu abandone a equação das possibilidades. E é isso que estou a fazer."
Santos Silva explicou que, na sua opinião, esse nome não iria avançar caso ele próprio anunciasse ser candidato. Apesar disso, frisou que as candidaturas são pessoais e que o seu afastamento não é garantia de que um novo candidato surja. O que é certo é que o socialista não apoia, neste momento, nenhum dos atuais candidatos a Presidente da República. Questionado sobre se apoiará António José Seguro, Santos Silva diz apenas "não está fora de hipótese nada" e recorda que as Presidenciais podem ter duas voltas.
"A condição necessária significa que, para uma coisa ocorrer, outra tem de acontecer antes. Neste caso, que eu saia. A condição suficiente é quando basta uma coisa acontecer para que outra ocorra a seguir — e isso já não posso garantir, pois os candidatos devem apresentar-se individualmente e pessoalmente", disse.
"Abro assim o espaço para a apresentação de uma candidatura forte, agregadora e independente, retirando não a minha candidatura (que nunca formalizei), mas a minha disponibilidade" para ser candidato, esclareceu.
Questionado sobre se uma candidatura de Sampaio da Nóvoa, que foi candidato a Belém há 10 anos (e foi o segundo nome mais votado), seria mais abrangente do que a sua, Santos Silva escusou-se a responder. "Não posso tratar aqui se não da condição necessária para que a candidatura possa surgir na área que ainda está em falta. E ela é: que seja claro para todos que não tenho capacidade agregadora necessária."
- Noticiário das 23h
- 06 jun, 2026







