D. Américo Aguiar pede aos deputados da AD para trabalharem numa “base alargada de consensos”
14 jul, 2025 - 18:57 • Manuela Pires
O bispo de Setúbal participou esta segunda-feira nas jornadas parlamentares do PSD e do CDS, que decorrem em Évora.
O cardeal D. Américo Aguiar foi esta segunda-feira às jornadas parlamentares do PSD e do CDS deixar um pedido aos deputados para que procurem um amplo consenso de forma a resolver os problemas do país, na saúde e na habitação.
“Temos que trabalhar com base cada vez mais alargada de consensos para reforçar a confiança dos portugueses. E como é que isso se faz? Resolvendo os problemas da saúde, resolvendo os problemas da educação, resolvendo os problemas da habitação”, pediu D. Américo Aguiar.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
O também bispo de Setúbal falou noutras questões, como a situação das prisões, e pediu aos políticos para resolver estes problemas, porque é urgente os portugueses voltarem a ter “confiança e esperança” nos políticos, caso contrário há outras forças que ocupam o poder.
“São 10, 20 anos e o cidadão não tem esperança que alguma coisa possa mudar e quando não temos confiança e esperança qualquer um pode tomar conta da barca”, referiu o bispo de Setúbal.
Os avisos foram escutados pelos deputados do PSD e do CDS, que ouviram ainda o cardeal contar como estão a funcionar as urgências hospitalares no distrito do Setúbal, que comparou com um jogo um jogo de flippers, com os doentes a andarem de um lado para o outro.
“Havia aquelas máquinas flippers, a gente fazia aquela bolinha lá em cima, ela vinha assim, fazia aquele barulho. Portanto, todos os dias é assim. Seja obstetrícia, seja outra especialidade, isto não ajuda a criar confiança."
E deu um exemplo: “De manhã dói-me a barriga, eu tenho que ir não sei onde ver onde é que tratam da barriga, porque todos os dias a barriga salta de sítio”.
O bispo de Setúbal considera que o Governo deve explicações, mas admite não ser possível ter os serviços de urgência sempre de portas abertas. “Não é possível termos todas as urgências a toda hora a funcionar em todo o território”, disse Américo Aguiar.
Receber imigrantes com dignidade
O cardeal falou ainda sobre a imigração e defendeu que o Estado tem de “responder às expectativas que criou aos que cá estão há muitos anos”, distinguindo esta situação de uma política de imigração para o futuro.
“Eu tenho dado este exemplo: vamos imaginar que eu posso acolher em minha casa 20 pessoas, e posso acolhê-las dando a cada uma aquilo que é a sua dignidade e os seus direitos e os seus deveres. Então, eu torno público esse número”, afirmou, considerando que tal significa “respeitar a sua dignidade”.
Se, pelo contrário, disser que “podem vir todos e vierem mil”, estão-se a criar falsas expectativas para os restantes 980, o que considera ser o que está a acontecer atualmente em Portugal.
“Nós criámos a expectativa a todos que pudessem e quisessem, e não temos capacidade de corresponder, e estamos a desrespeitar a dignidade dessas pessoas, estamos a fazer o contrário”, afirmou o bispo de Setúbal que foi aplaudido pelos deputados.
- Noticiário das 1h
- 10 jun, 2026











