Presidenciais: António Filipe quer fazer "muito diferente" de Marcelo e está aberto a consensos
14 jul, 2025 - 20:37 • Lusa
“Esta candidatura é para levar até ao fim”, disse o candidato apoiado pelo Partido Comunista.
O candidato presidencial António Filipe disse esta segunda-feira que, caso seja eleito, pretende fazer "muito diferente" do atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, e "falar mais de questões realmente importantes".
Em resposta aos jornalistas no final da sua sessão de apresentação de candidatura presidencial, António Filipe foi questionado se tenciona ser a antítese de Marcelo Rebelo de Sousa caso venha a ser o próximo Presidente da República".
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"Eu não diria antítese, mas seria certamente muito diferente. Provavelmente, falaria muito menos de questões sem importância e procuraria falar mais de questões realmente importantes, em vez de ter uma atitude de certa forma taticista relativamente à situação política nacional", respondeu o candidato.
António Filipe disse que teria "uma posição de franqueza, de frontalidade" para que os portugueses "percebessem que não estariam perante um Presidente enleado em táticas políticas, mas em alguém que, para além de levar muito a sério o seu mandato, está realmente preocupado em servir o povo português e a democracia".
"E, no âmbito das suas competências, fazer tudo o que estiver ao seu alcance para cumprir e fazer cumprir a Constituição, que essa é que é que a incumbência fundamental do Presidente da República", frisou.
Antes, no seu discurso, António Filipe considerou que o atual Presidente da República não só está comprometido "com o estado das coisas" no país, como, no "exercício das suas funções, teve muitas vezes um papel ativo, até determinante, para que a democracia portuguesa chegasse ao estado a que chegou".
Depois, enumerou as várias tarefas que considera que um Presidente da República deve desempenhar, frisando que deve "cumprir e fazer cumprir a Constituição" e "não se pode limitar a pairar sobre os problemas, alheio às dificuldades concretas das pessoas e às ameaças que se colocam sobre Portugal e o mundo".
"Uma candidatura a Presidente da República não pode resumir-se a produzir declarações generalistas e inócuas, sobretudo na situação que o país atravessa, porque isso significa que quer deixar tudo na mesma", disse, numa alusão a outras candidaturas presidenciais, que não especificou.
António Filipe aberto a consensos
O candidato presidencial garantiu que a sua candidatura “é para levar até ao fim” e não depende de terceiros, e manifestou-se aberto a consensos, recusando estar limitado a “fronteiras partidárias”.
“Esta candidatura é para levar até ao fim”, disse António Filipe, que pretende unir os democratas que não se conformam com "o facto de a direita controlar todos os órgãos de soberania” e afirmou-se comprometido com os valores da Constituição.
Questionado se admite retirar a sua candidatura caso António Sampaio da Nóvoa decida avançar com uma candidatura, António Filipe, apoiado pelo PCP, respondeu que a sua candidatura “é insubstituível” e a sua “importância” não pode ser assumida por “nenhuma [das candidaturas] existentes, muito menos das inexistentes”.
Sobre se conta com o apoio de outros partidos além do PCP, António Filipe respondeu que a sua candidatura “não se dirige aos partidos políticos, mas aos portugueses em geral”, que “não se conformam com o estado a que o país chegou e aspiram a que haja uma alternativa”.
Antes, no seu discurso de apresentação, António Filipe considerou que, nas suas “mais de três décadas” como deputado à Assembleia da República, conseguiu mostrar que “é possível conciliar a defesa intransigente das posições políticas de cada um e o combate leal a posições políticas diferentes, com um sentido de equilíbrio e de abertura a consensos em que todos os democratas se possam rever”.
“É esse o sentido da minha, da nossa candidatura. É a candidatura de um comunista, com a confiança e o apoio dos seus camaradas, mas rejeita que a queiram limitar às fronteiras de uma afirmação partidária”, frisou.
António Filipe afirmou que a sua candidatura é a de “todos os que não aceitam um caminho de degradação da democracia nem se resignam perante uma sociedade cada vez mais injusta”.
“É a candidatura que constitui o espaço de convergência de todos os que se reveem na Constituição, independentemente das suas opções políticas e partidárias”, destacou.
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