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Reforma da PAC

"Onde anda Costa?" PS diz que cabe ao Governo saber negociar em Bruxelas

20 jul, 2025 - 01:10 • Marisa Gonçalves

A nova proposta da Comissão Europeia pode implicar a perda de financiamento para Portugal.

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O deputado socialista Pedro do Carmo diz estar “incrédulo” com as declarações do ministro da Agricultura ao programa "Dúvidas Públicas", da Renascença e entende e lembra que é ao Governo que cabe saber negociar com Bruxelas.

“Cabe ao Governo governar e, nomeadamente nestas questões da nova proposta da Comissão Europeia, cabe ao Governo português participar nessa discussão, impor-se, reclamar e ter propostas alternativas", diz o deputado do PS

"Ao chamar à coação António Costa, presidente do Conselho Europeu, ficamos naturalmente incrédulos. Não é parte desta discussão, não é parte deste momento e não pode servir de desculpa para que o Governo não consiga negociar”, reforça.

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“O que está em cima da mesa é muito grave para agricultura portuguesa, nós também o consideramos. Estamos preocupados, mas escamotear toda esta discussão com António Costa não faz nenhum sentido e o PS repudia totalmente isso."

Pedro do Carmo aponta, por outro lado, o exemplo de Durão Barroso: "Recordo até ao senhor primeiro-ministro e ao PSD já tivemos um presidente da Comissão Europeia que era do PSD e tivemos sempre a postura de que era presidente de toda a Europa e não só de alguns países. É isso que se coloca aqui. Que o Governo português defenda a os interesses de Portugal."

O deputado socialista diz que as preocupações do ministro da Agricultura são as mesmas do PS porque está em risco a perda de financiamento.

"Para além de tirar mais dinheiro a Portugal, há outros problemas graves como o fato de não termos a centralização do orçamento comunitário, o que fará com que o interior do país fique prejudicado e isso é grave. Há também o facto de se acentuarem as divisões entre os países ricos e os países pobres, quando não era isso que a PAC pretendia. Esta diferenciação pode ser muito grave para a agriculta europeia e, em especial para os agricultores portugueses”, aponta.

Nas declarações do ministro da Agricultura no programa "Dúvidas Públicas", da Renascença. J, há críticas à proposta de Bruxelas e também ao presidente do Conselho Eurpeu.

“Onde anda António Costa? É que António Costa é o presidente do Conselho Europeu. É o Conselho Europeu que, por unanimidade, vai aprovar. Há uma coisa certa, ele tem responsabilidades. Não sei se está a ter uma atitude de deixa ver o que isto dá e mais à frente eu vou entrar em campo e, neste momento, está no aquecimento. Ou se está a fazer um trabalho de bastidores que não se vê. Mas, na União Europeia, quando não se é pró-ativo, depois corre-se atrás do prejuízo”, diz josé Manuel Fernandes.

A Comissão Europeia apresentou a proposta de orçamento da União Europeia (UE) a longo prazo, que vai incluir novas prioridades de defesa e crescimento económico, planos nacionais com reformas e investimentos e novos fundos europeus. A proposta destina cerca de 30% das verbas à coesão e outros 30% à PAC.

Após a apresentação da proposta, iniciam-se negociações com os colegisladores - eurodeputados (Parlamento) e Estados-membros (Conselho) -, ambicionando-se que o processo negocial esteja concluído em 2026.

Portugal defende que deve manter-se o nível de verbas para a PAC e coesão, sendo que esta última representa 90% dos investimentos públicos no país.

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