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Álvaro Santos Pereira

Livre, PCP e PAN criticam ministro do tempo da troika no Banco de Portugal

24 jul, 2025 - 18:53 • Lusa

Partidos recordam passagem do novo governador pelo Governo de Pedro Passos Coelho durante o período da "troika" e defesa de "políticas de austeridade".

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Livre, PCP e PAN criticaram esta quinta-feira a escolha de Álvaro Santos Pereira para governador do Banco de Portugal, frisando que foi um ministro de Pedro Passos Coelho durante o período da "troika" e defendeu "políticas de austeridade".

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, a deputada do Livre Patrícia Gonçalves manifestou preocupação com a escolha de Álvaro Santos Pereira para governador do Banco de Portugal (BdP), considerando que "parece ser uma nomeação política para um cargo ao qual se exige independência do poder político".

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"Álvaro Santos Pereira foi o ministro da Economia nos tempos do "passismo", no tempo da "troika" e preocupa-nos que haja o regresso, nesta nomeação como governador do BdP, de um ex-ministro de Passos, por um Governo que está a dar passos atrás", disse.

Patrícia Gonçalves agradeceu ainda a Mário Centeno pelo trabalho que desenvolveu no BdP, considerando que a sua "capacidade técnica e o seu peso político foram certamente relevantes para o país" e observando que o seu mandato foi o "mais curto" nos últimos 30 anos de um governador do BdP.

Por sua vez, a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, afirmou que o BdP age "como se fosse uma sucursal do Banco Central Europeu (BCE)" e não se opõe a "decisões prejudiciais" tomadas em Frankfurt.

"Veja-se o facto de o BdP não ter intervindo para enfrentar e fazer face aos extraordinários lucros que a banca tem tido nos últimos anos no nosso país, nomeadamente no que diz respeito às comissões bancárias", criticou.

Neste contexto, Paula Santos considerou que a escolha de Álvaro Santos Pereira "não indicia uma rutura com esse caminho", recordando que o novo governador do BdP foi "ministro do período da "troika", com o aquilo que isso significou de empobrecimento" do país.

"Não cremos que virá de Álvaro Santos Pereira uma posição que se impunha de defesa do interesse nacional, da nossa soberania e daquilo que devem ser as opções para o nosso desenvolvimento", referiu.

A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, considerou que a nomeação de Álvaro Santos Pereira para o BdP mostra que "Luís Montenegro não consegue sair deste ciclo vicioso de ir reciclar ministros do tempo da "troika" e também de Passos Coelho".

"Lamentamos que não tenha o rasgo e a visão de trazer nova políticas, aliás de estar a ir buscar políticas das quais os portugueses estão cansados", referiu, considerando curioso que o PSD tenha feito críticas à escolha de Mário Centeno "pela politização do cargo" de governador do BdP e agora decida "trazer alguém da política para essa mesma função".

Sousa Real reconheceu que Álvaro Santos Pereira tem um currículo que "fala por si e está isento de críticas", mas disse que o problema da sua nomeação se prende com as políticas que defende, reiterando que os portugueses não querem "voltar a ter políticas de austeridade".

O economista Álvaro Santos Pereira foi hoje escolhido para governador do Banco de Portugal (BdP), sucedendo no cargo a Mário Centeno, anunciou hoje o Governo.

A indicação foi tomada na reunião de hoje do Conselho de Ministros e anunciada no final, em conferência de imprensa, pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, António Leitão Amaro.

Álvaro Santos Pereira foi ministro da Economia e do Emprego de 2011 a 2013, no Governo de Pedro Passos Coelho (PSD/CDS-PP) e é atualmente o economista-chefe da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

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