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"Leis e governantes passam, povos ficam", diz Marcelo ao Presidente de Angola

25 jul, 2025 - 12:58 • Tomás Anjinho Chagas

Presidente angolano esteve esta sexta-feira no Palácio de Belém e vinca que as relações entre os dois países "nunca estiveram a um nível tão alto". Marcelo vinca carinho pelo país-irmão e assegura que tinha o "coração dividido" quando Portugal jogou contra Angola no Mundial 2006.

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Em pleno momento de desconforto provocado pela nova lei da imigração em Portugal - que vai inevitavelmente afetar os movimentos migratórios com Angola - o Presidente angolano, João Lourenço, afasta as sombras e vinca que os dois países atravessam um ótimo momento nos laços diplomáticos.

O Presidente da Angola esteve, esta sexta-feira, no Palácio de Belém, em Lisboa, no segundo de três dias de visita oficial a Portugal, e não hesitou em classificar o atual momento: "Nunca as relações entre os nossos países estiveram a um nível tão alto".

João Lourenço vinca também as "ocasiões distintas" em que Marcelo Rebelo de Sousa "honrou" o país com a sua presença, referindo-se às sete vezes que o Presidente da República visitou Angola durante o seu mandato, que se iniciou em 2017.

Apesar dos elogios mútos nesta declaração sem direito a perguntas dos jornalistas, o presidente angolano admitiu recentemente "algum desconforto", em entrevista à CNN Portugal, com a lei da imigração aprovada recentemente no Parlamento português, que entretanto Marcelo Rebelo de Sousa enviou para o Tribunal Constitucional com vários recados ao Parlamento.

Marcelo: "Povo é o que fica"

No seu habitual estilo entusiasmado, o presidente da República, lado a lado com João Lourenço, sublinhou que os dois países e os dois povos estão "em permanente contacto" e destacou a importância de uma comunidade "muito estável" de imigrantes angolanos em Portugal.

E nesta altura de tensão e de preocupação de muitos imigrantes, Marcelo Rebelo de Sousa vincou a sua importância para a economia portuguesa, mencionando os vários que estudam, mas sobretudo aos que trabalham no setor social, nas IPSS, misericórdias, na área da saúde, cultura ou educação.

Já em tom de despedida, nesta que será a última visita de João Lourenço a Portugal durante o mandato presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa - o Chefe de Estado ainda vai visitar Angola no final do ano - o presidente português lembrou o momento em que ficou com o "coração dividido".

Marcelo puxou a fita do tempo até 2006, altura em que Portugal e Angola se defrontaram num campo de futebol, no Mundial 2006, na Alemanha, para confessar que ficou com um misto de sentimentos.

"O meu coração estava partido, como não podia deixar de ser", descreve. "Não era Presidente da República, mas era português, mas... que diabo, não podia deixar de torcer por Angola", lembra.

O presidente da República revela que chegou a suspirar por um empate "para não prejudicar nenhum dos dois".

"É assim que nós sentimos, os governantes passam, as leis passam, mas os povos ficam", defende o presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinha ainda que a Cimeira entre a União Europeia e a União Africana vai decorrer com dois protagonistas que falam português, João Lourenço como presidente da União Africana, e António Costa como presidente da União Africana.

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