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Montenegro acompanha incêndios de "forma discreta". "Vamos ganhar a guerra" e fazer balanços depois

14 ago, 2025 - 21:55 • Ricardo Vieira

Na Festa do Pontal, o primeiro-ministro e líder do PSD garante que "estamos todos a fazer o esforço máximo para não deixarmos ninguém sozinho" e promete processos rápidos para incendiários. Noutro plano, anunciou o lançamento do concurso do novo Hospital Central do Algarve.

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O primeiro-ministro e líder do PSD diz que este é o momento de "ganhar a guerra" e "salvar as pessoas" dos incêndios. Os balanços serão feitos mais tarde, prometeu Luís Montenegro.

"Não vou hoje fazer avaliação porque estamos em plena guerra. e não é a meio da guerra que vamos fazer essa discussão", afirmou Luís Montenegro, num discurso na Festa do Pontal, em Quarteira, a rentrée política do PSD.

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"Vamos primeiro ganhar a guerra, salvar as pessoas, o nosso património, o nosso país e cá estaremos para fazer ainda melhor no futuro", declarou o primeiro-ministro.

O líder do PSD começou por dizer que a Festa do Pontal é um tradição do partido e um "momento de alegria", mas "este ano não esquecemos os nossos compatriotas que por estes dias neste momento estão confrontados com o flagelo e tragédia" dos incêndios. "Estamos totalmente solidários", declarou.

Luís Montenegro apontou o dedo às "circunstâncias meteorológicas particularmente difíceis e adversas", mas também "muitas vezes por alguma falta de cuidado e negligência e outra vezes por condutas criminais" que estão na origem de incêndios.

"Estamos todos a fazer o esforço máximo para não deixarmos ninguém sozinho, para mobilizarmos os meios que temos para salvaguardar as vidas dos nossos compatriotas, o seu património e o património natural", assegurou na Festa do Pontal.

O primeiro-ministro passou os últimos dias de férias no Algarve, mas diz que tem acompanhado "a situação a toda a hora". "Estamos a fazê-lo de forma discreta, mas muito próxima e tentando ser o mais eficaz possível", salientou.

Luís Montenegro defendeu a manutenção da Festa do Pontal, apesar do momento que o país vive com dezenas de incêndios todos os dias e milhares de hectares ardidos. O Governo prolongou a situação de alerta até domingo.

"Este é também um encontro político. Tenho respeito pelo exercício de todas as liberdades, de informar, liberdade editorial e jornalista que neste momento escolhe preencher écrans com metade de imagem com labaredas e outras com a festa do pontal. São critérios de escolha legítimos que devem ser respeitados, tão respeitados como o critério legítimo de um partido político falar com o seu povo e fazer análise da vida do país", argumentou.

Processo mais rápido para incendiários e outros crimes graves

O primeiro-ministro quer aumentar a rapidez no setor da justiça, desde logo para criminosos apanhados em flagrante delito, nomeadamente no caso dos incendiários.

"Assim como acontece para os crimes menos graves, pode haver um regime de aceleração, mais abreviado do ponto de vista processual, para os crimes mais graves desde que haja uma recolha de prova reforçada, nomeadamente quando há detenção em flagrante delito", começou por referir.

"Isso pode aplicar-se a crimes mais graves, a começar por aqueles que de forma dolosa provocam incêndios florestais", defendeu Luís Montenegro.

Atualmente, alguém que é apanhado em flagrante delito a atear um incêndio florestal não é abrangido pelo processo sumário, mas o chefe do Governo quer mudar isso.

"Porque é que não pode ser submetido a um processo mais rápido a ser penalizado, com isso a termos uma tranquilidade pública e uma justiça mais efetiva, e já agora uma dissuasão do comportamento criminoso", sublinhou.

Novo hospital do Algarve vai arrancar

Durante o seu discurso, o primeiro-ministro deixou uma promessa e uma boa notícia para os algarvios: o tão desejado novo Hospital Central do Algarve vai avançar.

"Estou em condições de anunciar que, mais tardar no início de outubro, vamos lançar concurso internacional para a construção do Hospital Central do Algarve em regime de parceria público-privada", anunciou.

A obra deve arrancar em 2027 e o hospital do Algarve deverá estar a funcionar dentro de cinco anos, em 2030, num investimento de 800 milhões de euros, declarou Montenegro.

Fórmula 1 de regresso em 2027

O primeiro-ministro anunciou, também, o regresso do grande circo da Fórmula 1 ao Algarve, em 2027.

"Uma das circunstâncias que mais contribui para a promoção desta região são os grandes eventos. Assegurámos a realização do MotoGP, a prova mãe do motociclismo a nível mundial para 2025 e 2026. E estou em condições de vos dizer que temos tudo pronto para formalizar o regresso da Fórmula 1 ao Algarve no próximo ano, em 2027", revelou Montenegro.

"Estes eventos implicam algum esforço financeiro por parte do governo, mas têm um retorno quer financeiro direto, quer indireto de promoção que valem, sinceramente, a pena", salientou.

Montenegro acredita em excedente orçamental

O primeiro-ministro prevê que o país vai voltar a ter um excedente orçamental no final do ano, afirmando que a economia está a ter um “bom desempenho” e vai surpreender “muitos pessimistas”.

“Eu não tenho dúvidas de que vamos chegar ao final do ano e vamos ter novamente um 'superavit' nas contas públicas, vamos novamente poder dizer que baixámos o IRS a meio do ano, que aumentámos o complemento solidário para idosos, que demos um suplemento extraordinário aos pensionistas até 1.567,50 euros e, mesmo assim, cumprimos a meta relativamente ao equilíbrio das contas públicas”, afirmou Luís Montenegro.

Montenegro afirmou que o executivo vai conseguir atingir esse 'superavit' ao mesmo tempo que executa o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), constrói casas e reabilita centros de saúde e escolas.

“Estamos a fazer as coisas com equilíbrio, com sentido de responsabilidade”, considerou, frisando que a economia portuguesa, apesar do contexto internacional “está com um bom desempenho” e vai “surpreender muitos pessimistas no final deste ano”.

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