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Bloco de Esquerda

Mortágua anuncia mais uma comissão de inquérito aos incêndios

25 ago, 2025 - 12:46 • Daniela Espírito Santo

"Por que é que Portugal continua a não ter os meios aéreos necessários e gasta milhões a contratar meios em vez de os ter integrados na Força Aérea e na Proteção Civil?", indaga coordenadora do BE.

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A coordenadora do Bloco de Esquerda visitou, esta segunda-feira, Oliveira do Hospital, uma das zonas fustigadas pelos incêndios dos últimos dias. Aos jornalistas, anunciou que o BE vai "apresentar uma comissão de inquérito" de enfoque "muito específico" para analisar a "desorganização no combate aos incêndios", por que razão "os mecanismos de prevenção" existentes "não funcionaram" e compreender "que tipo de contratos estão em vigor" no caso dos meios aéreos. "Por que é que Portugal continua a não ter os meios aéreos necessários e gasta milhões a contratar meios em vez de os ter integrados na Força Aérea e na Proteção Civil?", indaga.

A deputada do BE apontou o dedo a uma "enorme desorganização", não dos bombeiros no terreno, que "estão a fazer o seu melhor", mas "das cadeias de comando". "Há bombeiros que são de Lisboa, vêm para o Fundão e, depois, são chamados para o Alentejo e para outro lado... passam a maior parte do seu dia em longas viagens e chegam cansados aos sítios onde têm de ir", lamenta Mortágua, que assegura que algumas dessas viagens "são inúteis porque há equipas mais próximas". "Isto é um problema de hierarquia e, em último caso, de governação política, de hierarquia política", salienta.

Antes disso, falou de gestão de território e floresta. Revela que ouviu "de viva voz" as histórias de quem perdeu o seu sustento agora, mas também "já tinha perdido tudo, inclusive a sua casa, em 2017" - questionando-se sobre o propósito de incentivarmos as vítimas a reconstruírem a sua vida para, "sete anos depois", as "coisas voltarem a acontecer".

"Para que serve uma pessoa investir no terreno, investir numa vida, se depois, de sete em sete anos, as coisas ardem porque não há cuidado com o ordenamento do território?", questiona.

"Todas as lições já estão tiradas há tantos anos, mas são esquecidas e esta é uma questão que tem de ficar para o futuro", assegura. "Vamos ter de encontrar instrumentos para gerir o nosso território", defende a bloquista.

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