28 ago, 2025 - 22:43 • Manuela Pires
Um dia depois de o primeiro-ministro ter estado no Parlamento para responder às críticas da oposição sobre o papel do Governo no combate aos incêndios, Marques Mendes deixou, na Universidade de Verão do PSD, quatro propostas ao Executivo para, com “espírito construtivo”, ajudar a resolver este problema que todos os anos afeta o país.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.
O candidato do PSD à Presidência da República concorda com a sugestão do Partido Socialista para a criação da Comissão Técnica Independente, mas defende que seria positivo integrar peritos estrangeiros nesta comissão, para dar “uma outra visão ao problema”.
“Não seria má ideia, do meu ponto de vista até teria toda a utilidade, se desta comissão independente pudessem fazer parte também, como consultores, alguns peritos internacionais. Não é porque em Portugal não haja excelentes especialistas nesta matéria, claro que há. Mas a presença de alguns peritos estrangeiros numa comissão independente é muito útil, porque acrescenta uma visão do exterior sobre este problema”, sugeriu Marques Mendes.
Em segundo lugar, o antigo líder do PSD defende que as Forças Armadas devem estar envolvidas nos incêndios, na prevenção, no combate e na recuperação após os fogos. Marques Mendes lembra que a ideia foi já defendida pelo antigo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o almirante Silva Ribeiro.
“Um dos oficiais mais competentes, credíveis e prestigiados das nossas Forças Armadas. Uma pessoa com um grande pensamento estratégico. Silva Ribeiro veio a dizer que as Forças Armadas são decisivas — são palavras dele — em tudo o que tem a ver com os incêndios. Na parte da prevenção, na parte do combate e na parte da recuperação pós-incêndio”, referiu Marques Mendes.
No final de um mês fustigado pelos incêndios em vários concelhos do país, Marques Mendes entende que a competência da prevenção dos fogos deve ser descentralizada para as autarquias, com a devida “mochila financeira” e os meios adequados.
“Aquela ideia de que a prevenção se faz a partir do Terreiro do Paço é ficção científica, porque o centralismo nesta matéria não resulta. Só uma descentralização em matéria de prevenção para os municípios, para as freguesias, com os respectivos meios, competências e capacitação, pode dar uma resposta eficaz à questão da prevenção”, defende.
Por último, o antigo líder do PSD considera que é necessário investir na floresta e na sua dimensão económica, “seja através de ecopontos florestais, centrais de biomassa ou de outras soluções semelhantes”.
O antigo líder do PSD pediu esta noite ao Governo para não deixar de fora o Partido Socialista na hora de aprovar a lei da nacionalidade.
O diploma vai ser discutido no Parlamento no próximo mês de Setembro e, para além do entendimento que o Governo tem com o Chega, Marques Mendes sublinha que o PS “não pode ficar de fora”.
“É uma lei especial e eu recomendaria um esforço de diálogo e de entendimento para que esta lei fosse aprovada na base de uma maioria ampla que incluísse, designadamente, o Partido Socialista”, pede Marques Mendes.
O antigo governante invocou a sua experiência política para avisar que uma lei como esta “não se pode aprovar na base de uma mera maioria de circunstância”.
“Tem de ser uma maioria mais alargada e mais abrangente. É isto o que diz a minha experiência política. Isto é tolerância democrática. Isto é compromisso de Estado”, concluiu.
No discurso feito esta noite na Universidade de Verão do PSD, Marques Mendes deixou ainda outro pedido ao Governo, agora sobre o posicionamento do país face à situação no Médio Oriente.
O candidato a Belém considera que Israel “está a ultrapassar todos os limites” em Gaza e que, mesmo sendo um país amigo, Portugal deve chamar a atenção e condenar “estas violações grosseiras do direito humanitário”.
“A verdade é dizer a Israel que está a ultrapassar todos os limites do razoável e do aceitável. Aquele país que é uma democracia ainda tem exigências adicionais, porque não passa pela cabeça de nenhum de nós, de um modo geral, que uma democracia possa fazer violações sérias e violações grosseiras do direito humanitário e do direito internacional”, disse Marques Mendes.