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Carlos Moedas: "A minha intenção era elogiar Jorge Coelho"

09 set, 2025 - 19:54 • Ricardo Vieira, com Lusa

Presidente da Câmara de Lisboa garante que não faltou à verdade. O autarca tinha referido, anteriormente, que Jorge Coelho tinha feito bem em apresentar a demissão do Governo porque conhecia os problemas na ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios.

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O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, afirma que a sua intenção não era ofender, mas sim “honrar a coragem” do antigo ministro Jorge Coelho, que se demitiu logo após a queda da ponte de Entre-os-Rios, em março de 2001.

“A minha intenção era elogiar Jorge Coelho, um homem de coragem e que teve a coragem de assumir a sua responsabilidade política naquela altura, perante factos, numa situação muito diferente daquela que estamos a viver hoje”, declarou aos jornalistas, após uma reunião da assembleia municipal em que foi chumbada uma moção de censura apresentada pelo Chega, na sequência do desastre no Elevador da Glória, que provocou 16 mortos e 22 feridos.

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Carlos Moedas volta ao tema depois de ter afirmado no domingo, em entrevista à SIC, que o socialista Jorge Coelho tinha feito bem em apresentar a demissão do Governo porque conhecia os problemas na ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios.

“Eu não faltei à verdade", diz Moedas

Questionado esta terça-feira pelos jornalistas, o autarca de Lisboa garante que nunca pretendeu ofender a memória do antigo ministro, que morreu em 2021.

“Não era minha intenção ofender, era minha intenção honrar a coragem daquele homem e a sua responsabilidade política”, sublinhou.

Carlos Moedas nega ter mentido na argumentação utilizada para dizer que Jorge Coelho fez bem em apresentar a demissão do Governo liderado por António Guterres.

“Eu não faltei à verdade. Eu não quis ofender a honra de Jorge Coelho, quis honrar a honra e a vida de Jorge Coelho, porque ele teve a coragem política no momento certo”, reforçou.

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Esta terça-feira, o atual presidente do Conselho Europeu, António Costa, e outros antigos ministros de António Guterres acusaram o presidente da Câmara de Lisboa de ter dito "falsidades" sobre o falecido antigo dirigente socialista Jorge Coelho.

"Nós, companheiros de Jorge Coelho no Governo de António Guterres aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios, queremos manifestar a nossa indignação pelas falsidades proclamadas pelo engenheiro Carlos Moedas sobre o que se passou em 2001. A atitude de Jorge Coelho foi um contributo importante para a defesa de Democracia nos últimos 25 anos", escrevem antigos ministros de António Guterres numa nota enviada à agência Lusa.

Além do ex-primeiro-ministro António Costa, assinam a nota Alberto Martins, Augusto Santos Silva, Eduardo Ferro Rodrigues, Guilherme Oliveira Martins, Luís Capoulas Santos e Nuno Severiano Teixeira.

Câmara nunca recebeu alertas para problemas

Durante a reunião da assembleia municipal, Carlos Moedas afirmou que “nunca” o executivo camarário recebeu informação sobre algum problema no elevador da Glória e afirmou que “não é verdade” que este equipamento tenha registado um aumento de passageiros.

“Nunca numa reunião de câmara ou numa reunião chegou alguma informação ou alguém nos chegou alguma informação sobre algum problema no elevador da Glória. Se há algum conhecimento ou alguém tinha esse conhecimento, temos de saber onde é que estava esse conhecimento, porque ele não chegou”, afirmou Carlos Moedas.

O autarca do PSD respondia à deputada municipal do PCP Natacha Amaro, que questionou sobre que tratamento mereceram por parte da administração da Carris os alertas formulados por trabalhadores da Carris sobre “indícios de anomalias” no funcionamento do elevador da Glória.

Carlos Moedas assegurou que a câmara não tinha informação nesse sentido porque a mesma não chegou, “nem através dos vereadores, nem através das pessoas que foram à reunião de câmara, nem aqui na Assembleia Municipal, nem o vice-presidente nos vários encontros que teve com muitos dos trabalhadores”.

Natacha Amaro procurou ainda saber se os protocolos de manutenção e inspeção do elevador da Glória estão “ajustados à significativa alteração do padrão de procura e de utilização”, resultante do crescimento da procura turística de Lisboa, nomeadamente nas últimas duas décadas.

Em resposta, Carlos Moedas afirmou que “os números não mostram” um aumento de passageiros devido ao turismo, pelo que “não é verdade”, indicando que, em 2019, houve 972 mil utentes e, em 2024, registaram-se 872 mil, “ou seja, são menos 100 mil”.

“Não houve um aumento ou uma carga superior que todos os anos aumentava porque cada vez havia mais turistas. Não é verdade. Os números não dizem isso”, expôs.

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