Ouvir
  • Noticiário das 6h
  • 14 abr, 2026
A+ / A-

Parlamento

“Sou ferozmente independente, a mim não me interessa quem está no governo”, diz novo governador do BdP

17 set, 2025 - 12:46 • Manuela Pires

Álvaro Santos Pereira está a ser ouvido no Parlamento no âmbito da indigitação para o cargo de Governador do Banco de Portugal. Apela ao Governo para ter disciplina fiscal para ter margem para reduzir a divida pública.

A+ / A-

O antigo ministro da economia de Pedro Passos Coelho garantiu aos deputados que sempre foi “independente” e vai levar para o Banco de Portugal “a independência até ao limite”.

Álvaro Santos Pereira está a ser ouvido na comissão de orçamento e finanças no âmbito da indigitação para Governador do Banco de Portugal e disse que a “Independência, integridade e serviço público foram sempre a marca” da sua atuação ao longo da vida profissional.

“A independência vai ser levada até ao limite. A mim não me interessa, literalmente, quem está no Governo. O que quero é uma relação cordial com todos os governos”, garante Álvaro Santos Pereira, concordando que é necessário promover boas relações institucionais com o governo e revelou que vai manter reuniões periódicas com o ministro das finanças para uma melhor cooperação institucional.

No discurso inicial, Álvaro Santos Pereira falou do percurso profissional para dizer que os últimos anos na OCDE lhe deram experiência para assumir o cargo de governador do Banco de Portugal.

“Considero que esta vasta experiência também me deu os necessários requisitos técnicos de gestão e diplomáticos para o exercício das funções de Governador de Portugal e de Membro do Conselho da Governação do Banco Central Europeu. Esta experiência profissional é ainda mais relevante no mundo atual, numa época em que a incerteza sobre as políticas económicas é muito elevada” considerou.

Sobre os desafios de Portugal, o novo governador do Banco de Portugal alertou para o possível aumento das tarifas e a a implicação que poderá ter nas exportações nacionais.

Sobre a dívida pública, Álvaro Santos Pereira avisou que é necessário o governo manter uma disciplina fiscal para reduzir a dívida pública.

“O endividamento nacional baixou muito na última década, mas também permanece alto, apesar da melhoria apreciável nas contas públicas nos últimos anos. Por isso, é essencial manter a disciplina fiscal nos próximos anos, para que a dívida pública continue a descer e para que tenhamos margem de manobra em casos de choques inesperados ou se a economia desacelerar” avisou o novo governador do Banco de Portugal.

Outro tema que preocupa o regulador é o elevado preço da habitação em Portugal e o pedido para que a construção de novas casas seja uma prioridade no país.

“Fomentar a oferta de casas deve ser uma prioridade nacional absoluta, não só para as famílias portuguesas poderem aceder a uma habitação condigna, mas também para diminuir a pressão sobre o preço das casas e o endividamento dos particulares, assim como diminuir o risco para a estabilidade financeira” disse.

Nova sede do Banco de Portugal: “Quem não deve não teme”

O novo governador do Banco de Portugal foi questionado pelo PSD sobre a nova sede do Banco em Lisboa e a inspeção da IGF.

Álvaro Santos Pereira concorda que faz sentido o Banco ter um edifício como sede em vez de ter os serviços espalhados pela cidade, mas quanto à localização garante que vai estudar o assunto.

“Vou estudar, não tenho informação, quando chegar vou certamente analisar o dossiê com grande detalhe e, depois, certamente, se o Parlamento entender que eu devo prestar eu falo-ei” garantiu Santos Pereira.

Sobre a polémica auditoria da IGF à nova sede, Santos Pereira promete prestar todas as informações porque “para mim é muito importante dizer que ‘quem não deve não teme”.

O “Banco de Portugal irá prestar todas as informações necessárias ao povo português e irá responder às questões que forem colocadas” em qualquer auditoria que exista.

No entanto, Álvaro Santos Pereira avisou que “na lei orgânica do Banco de Portugal e também do Ministério das Finanças, assim como as regras do euro sistema, sabemos que não é possível que auditorias feitas por instituições controladas politicamente não estão abrangidas”.

A Iniciativa Liberal questionou depois sobre os terrenos para a nova sede e Álvaro Santos Pereira respondeu que “a sede vai ser financiada sobretudo com terrenos do Banco de Portugal que vão ser alienados”. O sucessor de Mário Centeno no Banco Central garante que “este é um tema ao qual tenciono dar prioridade absoluta e não vou estar, para já, estar a especular”.


“Quem faz política ativa não deve trabalhar no Banco de Portugal”

Ao longo da audição o antigo ministro foi confrontado pelo partido socialista sobre o que escreveu no seu livro em 2011 e a necessidade de conhecer a filiação partidária das pessoas que vão trabalhar em cargos públicos. Álvaro Santos Pereira diz que não irá perguntar a filiação partidária, mas defende, claramente, que quem está no Banco de Portugal “não deve estar envolvido em política ativa”.

“Se alguém que está no BdP e decidir que quer trabalhar ativamente com partidos, isso é uma questão que se deve ver e enquanto está no BdP há uma missão pública, se quiser outras, faz favor” defendeu.



Ouvir
  • Noticiário das 6h
  • 14 abr, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque