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​Associação acusa Governo de falhar no Centro Interpretativo do 25 de Abril

18 set, 2025 - 22:33 • Catarina Severino Alves , com Lusa

Presidente da Associação 25 de Abril critica, ainda, a decisão do ministro da Defesa de criar uma nova comissão para comemorar os 50 anos do 25 de novembro, “sem dar cavaco a ninguém”.

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A Associação 25 de Abril denuncia que o Governo não avançou com a criação do Centro Interpretativo do 25 de Abril, uma iniciativa da comissão responsável pelas comemorações dos 50 anos da “Revolução dos Cravos”.

O coronel Vasco Lourenço, presidente da associação, afirmou esta quinta-feira em conferência de imprensa que, apesar do acordo para a criação do centro, assinado em janeiro de 2024, as verbas ainda não chegaram e o local de instalação não foi libertado.

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“Na primeira reunião da comissão nacional, a 8 de junho de 2024, o primeiro-ministro esclareceu que as verbas atribuídas estavam consignadas para o efeito e que o processo estava a seguir os seus trâmites. O facto concreto é que nem as verbas foram transferidas, nem a libertação do espaço avançou.”

Vasco Lourenço acusa o Governo de ter decidido "de forma unilateral e arbitrária, não cumprir o compromisso oficialmente assumido" de instalar o Centro Interpretativo do 25 de Abril nas atuais instalações do Ministério da Administração Interna (MAI), na Praça do Comércio, em Lisboa.

Segundo Vasco Lourenço, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, comunicou recentemente à associação que "por razões de segurança", não especificadas, o MAI já não vai sair das atuais instalações.

O Governo tenciona, segundo a associação, utilizar a zona ocidental da Praça do Comércio para "instalar serviços culturais", após a saída do Ministério da Agricultura deste local para o 'Campus XXI', (Av. João XXI, em Lisboa), prevista para 2027.

A associação foi informada de que uma "hipótese viável" para o executivo é destinar parte dessas instalações a este centro interpretativo, solução que só poderá ser analisada após as eleições autárquicas de outubro, devido ao envolvimento da Câmara Municipal de Lisboa na questão. Está também a ser estudada a hipótese de instalar este centro noutro ponto do país.

O presidente da Associação 25 de Abril critica, ainda, a decisão do ministro da Defesa, Nuno Melo, de criar uma nova comissão para comemorar os 50 anos do 25 de novembro.

“Ele tomou uma decisão contrária ao que tinha sido acordado na comissão, na presença do primeiro-ministro, tomou uma decisão sem dar cavaco a ninguém”, acusa Vasco Lourenço.

De acordo com o militar de Abril, Nuno Melo não falou com a comissão nacional, nem com o Presidente da República.

“Não deu cavaco a ninguém e fomos todos surpreendidos com essa resolução da nomeação de uma comissão, dizem eles, apartidária e independente, para comemorar o 25 de Novembro. “Quer maior desfaçatez do que essa. Não cumprir as próprias decisões?”, rematou Vasco Lourenço.

Marcelo compreende preocupação da Associação 25 de Abril

Numa primeira reação, o Presidente da República disse compreender a preocupação da Associação 25 de Abril em relação ao centro interpretativo sobre a "Revolução dos Cravos", mas garantiu que o Governo não desistiu de construir esse espaço.

"Percebo a preocupação do coronel Vasco Lourenço, a preocupação da comissária, a professora Maria Inácia Rezola, em termos do tempo, mas não se pode dizer que a ideia seja a ideia de matar [a intenção de construir o centro interpretativo], porque não fazia sentido", afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas à margem da inauguração da exposição "Mário Soares: Um Homem Inteiro", do fotógrafo Luís Vasconcelos, em Lisboa.

O Presidente da República explicou que houve, muito recentemente, uma reunião, em Belém, entre a Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, a Associação 25 de Abril e o ministro da Presidência sobre uma alteração do espaço destinado ao centro interpretativo, e que, apesar dessas mudanças, o "Governo nunca disse que encerrava o capítulo" sobre esse projeto.

Marcelo Rebelo de Sousa disse também que "todos têm razão à sua maneira" e que é "o primeiro a lutar pela aceleração do processo", que considerou estar a "demorar muito tempo", mas frisou que essa questão "não tem nada a ver" com a celebração da operação militar do 25 de Novembro.

"São coisas diferentes. Eu considero que deve haver centro interpretativo, o Governo não disse que não devia haver, está a demorar de facto muito tempo a pôr de pé este projeto, é importante que seja posto de pé, as comemorações do 25 de Abril vão continuar com as da Constituição e as primeiras eleições para o ano, e o 25 de Novembro tem o seu espaço próprio", disse.

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