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Autárquicas 2025

PSD aposta em independentes e quer recuperar as câmaras de Sintra, Gaia e Porto

22 set, 2025 - 07:00 • Manuela Pires

O PSD quer reconquistar a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses que perdeu para o PS em 2013. Pela primeira vez, o partido integra nas listas grupos de cidadãos e apoia candidaturas independentes. A ex-comunista Maria das Dores Meira causou polémica nas estruturas locais de Setúbal do PSD.

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Quando Luis Montenegro foi eleito líder do PSD, em 2022, a moção de estratégia apontava como meta a “recuperação da liderança da ANMP e da ANAFRE” e nessa altura foi criada uma equipa de coordenação para começar a trabalhar na escolha dos candidatos.

Pedro Alves foi o escolhido para coordenador autárquico do partido e, em entrevista à Renascença, diz que desde essa altura que o PSD está a preparar estas eleições, e a iniciativa Sentir Portugal serviu para Montenegro definir a estratégia para as eleições de outubro.

“Começámos com um projeto que o líder do partido lançou, que era o Sentir Portugal, onde tivemos a oportunidade de percorrer todos os concelhos do país, contactar com todas as comunidades, simultaneamente também perceber a dinâmica interna do Partido e a capacidade que teria para responder a este desafio que nós colocámos de ganhar as eleições autárquicas” refere Pedro Alves.

No PSD há quem considere que esta meta é uma tarefa muito difícil de alcançar, é o caso do autarca de Cascais Carlos Carreiras, mas na direção do partido acredita-se que é mesmo possível.

Para tentar ganhar câmaras ao Partido Socialista, que desde 2013 lidera a ANMP, Luis Montenegro percebeu que, para além dos candidatos militantes, o PSD devia também apostar em candidaturas independentes que estão no terreno e ganharam as eleições.

Pedro Alves refere que o partido tem de ir ao encontro dos eleitores e daí o apoio a Isaltino Morais em Oeiras e Maria das Dores Meira em Setúbal.

“Se as pessoas escolhem um cidadão independente para gerir o seu território, porquê é que o PSD tem que, por diretório partidário, impor uma equipa ou um projeto político àquela comunidade que quer fazer diferente e que se revê nesses cidadãos? E foi isso que nós procurámos fazer, também houve, ao contrário, ou seja, também houve grupos de cidadãos independentes que se aproximaram do PSD e que são neste momento candidatos pelo PSD”, diz Pedro Alves, dando exemplos da Figueira da Foz com Pedro Santana Lopes, em Anadia com Jorge Sampaio ou Manuel Cordeiro em São João da Pesqueira.

A poucas semanas do dia das eleições, o coordenador autárquico do PSD garante que o partido escolheu os melhores candidatos para estas eleições autárquicas que contam com duas novas variáveis, a limitação de mandatos que impede muitos autarcas de se candidatarem e qual será a dimensão do Chega no poder local.

Esta é a primeira vez que a limitação de mandatos vai impedir cerca de 40 presidentes de câmara do PSD de voltar a candidatar-se. No caso do PS é quase o dobro, e Pedro Alves acredita que o partido pode beneficiar com essa situação.

“Mas nesse deve e haver, o Partido Socialista tem mais transições a fazer do que nós, porque o Partido Socialista obteve em 2013 um grande resultado autárquico, e por isso mesmo estão neste momento também a atingir essa limitação de mandatos. E nós temos aqui também mais essa oportunidade.

Quanto ao Chega, o PSD considera que o partido de André Ventura vai ter uma expressão no poder local, mas Pedro Alves ainda não consegue dizer qual o impacto que o Chega vai ter nas autarquias.

“Hoje percebemos que já existe um voto no Chega, não apenas um voto no protesto, mas não conseguimos perceber se os candidatos que apresenta podem ter bons resultados, mas temos consciência de que há aqui um novo ativo político e vamos ter de perceber qual vai ser o impacto a nível autárquico” conclui Pedro Alves.

PSD quer recuperar Porto, Gaia e Sintra e manter Faro e Braga

O PSD acredita que vai conseguir conquistar muitas câmaras ao Partido Socialista, como Sintra ou Vila Nova de Gaia.

“Temos em cada um dos concelhos, tanto no Porto como em Gaia, pegadas autárquicas de gestão local exemplares, seja com o doutor Rui Rio, seja também com o doutor Luís Felipe Menezes, e estou mesmo muito confiante que vamos ganhar as duas”, refere Pedro Alves.

Também em Faro e em Braga os dois autarcas já não podem concorrer a novo mandato. Em Braga o PSD aposta em João Rodrigues, que é vereador desde 2017, e em Faro o candidato é o líder da distrital do PSD e deputado, Cristóvão Norte.

“Se em Faro e em Braga temos transição, e é natural que haja oportunidade para os outros partidos, mas nós também nos preparámos para este desafio, também nós soubemos responder com dois excelentes candidatos” garante o deputado e coordenador autárquico do PSD.

O PSD parte para estas eleições com a maioria das câmaras capitais de distrito. São nove: Braga, Bragança, Aveiro, Coimbra, Faro, Lisboa, Portalegre, Santarém e Viseu.

Na área metropolitana de lisboa o PSD lidera as autarquias de Lisboa, Mafra e Cascais.

No total do país, o PSD preside a 114 municípios, o PS a 148, o PCP é a terceira força política autárquica com 19 presidências de câmara.

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