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“Nenhum poder é eterno”: Marcelo defende reforma da ONU e multilateralismo face às crises globais

23 set, 2025 - 19:41 • Fábio Monteiro

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu esta segunda-feira uma reforma profunda das Nações Unidas e reafirmou a candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança. O Presidente sublinhou ainda a urgência do reconhecimento do Estado da Palestina e destacou o papel da ONU na construção de um mundo mais justo, multilateral e pacífico.

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No seu discurso na 80.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, esta segunda-feira, Marcelo Rebelo de Sousa reafirmou o compromisso de Portugal com o multilateralismo e anunciou a intenção de ver o país eleito como membro não-permanente do Conselho de Segurança para o biénio 2027-2028.

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"Portugal é hoje o que sempre aspirou ser: um país aberto ao mundo, construtor de pontes, profundamente multilateralista e guiado pela Carta das Nações Unidas", disse Marcelo, num discurso marcado pelo tom crítico à inércia do sistema internacional face às crises atuais.

O chefe de Estado alertou para um "momento existencial" das Nações Unidas, defendendo a urgência de uma reforma do Conselho de Segurança que reflita a realidade geopolítica do século XXI. "Sem mudança, sem renovação, as Nações Unidas serão marginalizadas e restará apenas a lei da força", avisou.

Marcelo defendeu uma ONU mais representativa, com assentos permanentes para o continente africano e para potências emergentes como o Brasil e a Índia. Criticou ainda a utilização abusiva do direito de veto, considerando "inaceitável que continue a paralisar decisões essenciais perante o sofrimento humano".

"Quando se esquecem os princípios, quando se abandonam os princípios em nome da pura realpolitik — refiro-me ao poder, ou aos poderes do momento — esquece-se que nenhum poder é eterno. Nenhuma personalidade é eterna. Impérios ascenderam e caíram", disse.

Reconhecimento da Palestina, fim da guerra na Ucrânia

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou o recente reconhecimento oficial por Portugal do Estado da Palestina, tornando-se o 151.º Estado-membro da ONU e apenas o 13.º da União Europeia a tomar essa decisão.

Defendeu também a construção de condições políticas, económicas e sociais que viabilizem "a solução de dois Estados soberanos", com "reconstrução das sociedades e economias e a oportunidade de viver, não morrer" para israelitas e palestinianos.

No caso da Ucrânia, pediu um cessar-fogo "imediato e incondicional", como primeiro passo para uma paz justa, "respeitando o direito internacional e a Carta das Nações Unidas".

Em relação ao Sudão, considerou que o mundo está a reagir demasiado lentamente perante "a maior catástrofe humanitária em África".

António Guterres elogiado como “voz portuguesa no mundo”

Numa nota pessoal, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou o trabalho do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, a quem descreveu como "humanista, defensor do direito internacional e incansável reformador".

"É uma honra ter um português como Secretário-Geral das Nações Unidas, alguém que projeta uma forma portuguesa de estar nas relações internacionais", afirmou. E recordou com particular admiração a declaração de Guterres: "Nunca desistirei".

Para Marcelo, que conhece Guterres desde a juventude, "ele nunca desistiu. E tem razão".

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