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Pedro Nuno Santos reage a buscas na TAP: "Não foi cometido qualquer crime"

24 set, 2025 - 11:34 • João Pedro Quesado

A Polícia Judiciária levou a cabo, na terça-feira, buscas na TAP e no escritório de advogados que assessorou a TAP durante a negociação da indemnização a Alexandra Reis. Antigo ministro das Infraestruturas garantiu que "se soubesse que a indemnização era indevida", "nunca teria sido dada" autorização.

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Pedro Nuno Santos admite que "não correu tudo bem" na gestão da TAP, mas garantiu que "não foi cometido qualquer crime" pelo seu gabinete na indemnização de 500 mil euros a Alexandra Reis no final de 2022. O ex-líder do PS utilizou, esta quarta-feira, as redes sociais para reagir às buscas de terça-feira na companhia aérea pública.

"Tenho orgulho no trabalho realizado na TAP. Salvámos uma das mais importantes empresas da economia nacional e deixamo-la financeiramente saudável. O custo para a economia portuguesa de a deixar falir era incomensuravelmente superior ao custo do seu resgate. Até hoje os adversários políticos do PS (onde se inclui o atual PM) nunca disseram o que teriam feito de diferente", escreve Pedro Nuno, numa publicação em que lembrou que "ainda há menos de seis meses o meu bom nome foi posto em causa, em plena campanha eleitoral", e reafirmou que "os políticos não são todos iguais".

"Não correu tudo bem, a indemnização paga a uma administradora executiva é um desses exemplos. Mas não foi cometido qualquer crime pelos membros do governo ou do meu gabinete. Enquanto ministro fiz aquilo que tinha de fazer", garante o socialista, apontando que "a CEO e uma administradora estavam irremediavelmente incompatibilizadas, o normal era uma delas sair, a bem do funcionamento saudável da comissão executiva".

"À CEO foi dada autorização para iniciar o processo de substituição. Processo esse em que a TAP foi assessorada por uma das maiores sociedades de advogados do país. A representar Alexandra Reis estava outra grande sociedade de advogados", relata Pedro Nuno Santos. "Concluída a negociação entre as partes, foi-me pedida a anuência política para o seu fecho".

"Obviamente que parti do pressuposto de que a solução que a empresa nos apresentou era legal, tendo em conta que a TAP tinha sido assessorada por uma conceituada sociedade de advogados. Autorizei o fecho porque, apesar do elevado valor da indemnização, era pior manter uma situação de conflito dentro da comissão executiva", afirma o antigo ministro das Infraestruturas, acrescentando que "se soubesse que a indemnização era indevida, essa autorização nunca teria sido dada".

"Não há muitos temas que tenham sido tão escrutinados quanto este. Já foi alvo de uma investigação da IGF [Inspeção Geral de Finanças] e de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que durou vários meses e que teve acesso a muitas comunicações", apontou ainda Pedro Nuno. "Neste momento, o MP está a fazer o seu trabalho, no âmbito de um inquérito aberto em janeiro de 2023. Só desejo que possa ser concluído com a maior brevidade, para que fique definitivamente clara a minha participação neste dossiê, que tanto dano já me causou".

A Polícia Judiciária levou a cabo, na terça-feira, buscas na TAP e no escritório de advogados SRS Legal, que assessorou a TAP durante a negociação da indemnização a Alexandra Reis. As buscas também abrangeram a Secretaria Geral do Governo, que gere a rede informática do Governo, para aceder às comunicações trocadas entre Pedro Nuno Santos e outros responsáveis do Ministério das Infraestruturas em 2022.

A Renascença apurou que uma pessoa foi constituída arguida na Operação "Cheque In". Segundo o Público, o arguido faz parte da sociedade de advogados SRS Legal.

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