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autárquicas 2025

Sem perspetiva de uma maioria absoluta, Braga vai a eleições com duas mãos cheias de candidatos

24 set, 2025 - 06:30 • Isabel Pacheco

É a corrida autárquica mais disputada de sempre em Braga. O PS falhou acordo com o Livre e apresenta-se com o PAN. A IL não se entendeu com a coligação Juntos por Braga [PSD/CDS-PP/PPM]. Há, ainda, um independente a baralhar as contas da campanha eleitoral focada, sobretudo, nos temas da Habitação e da Mobilidade.

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Aos 73 anos, Manuel Costa não tem memória de tantas candidaturas à câmara de Braga até agora liderada por Ricardo Rio (coligação PSD/CDS/PPM) que atinge o limite de mandatos. São dez candidatos e nenhum o parece convencer.

“Não vejo grandes capacidades em nenhum deles”, atira Manuel enquanto conversa com dois amigos, no centro da cidade, sobre o último debate televisivo. Diz-nos que ouviu a todos e que “tantos candidatos” “é só para dividir”. “Não vai dar em nada”, antecipa. “Mas, um vai se ter de se aproveitar”, remata.

Mesmo ao lado, está a banca de castanhas de Fátima Veloso. A vendedora pede “um bocadinho mais de tudo” para a cidade. A começar “por baixar os alugueres da habitação e dos remédios” e “mais transportes”, acrescenta.

“Mais casas” é também o que se pede no quiosque de Arminda. E “mais médicos”, interrompe Antónia, sem desprender o olhar da raspadinha acabada de comprar.

E casas, 500 e a custo moderado no prazo de dois anos, é uma das promessas do socialista António Braga. O antigo secretário de estado das comunidades do governo de Sócrates, que saltou da reforma para encabeçar coligação “Somos Braga” (PS e PAN), adianta que o programa passa pela construção de “habitações [modulares] para colocar no arrendamento público a preços acessíveis”. A ideia é criar “uma rede pública dirigida, sobretudo, às jovens famílias”.

E para garantir o cumprimento deste e de outros programas, o antigo deputado da assembleia da república pede uma “maioria robusta” e apela ao “voto útil” para garantir “uma governação com estabilidade”.

Mas, caso não haja essa maioria o limite está traçado: “dialogaremos com todos os que estiverem na representação no município. Isso não significa fazer acordos com todos”, resume o candidato que coloca de fora o Chega de eventuais acordos, tal como, já havia garantido o secretário-geral do PS, José Luis Carneiro durante a rentrée política do partido, em Coimbra.

Posição diferente é defendida pela CDU. O candidato João Baptista que, chegou a integrar a equipa de uma junta de freguesia social-democrata, não nega entendimentos nem à esquerda, nem à direita. “Com ninguém”, esclarece.

“Estamos abertos desde que haja condições para desenvolver o nosso trabalho”, explica o engenheiro civil e deputado da assembleia municipal que aponta a habitação como “primeiro passo”.

“Seria a injeção [estatal] na habitação pública que, em termos de volume, não poderia ser menos de cem milhões de euros para construirmos mil habitações”, aponta João Baptista.

António Braga, cabeça de lista da coligação PS/PAN "Somos Braga" à câmara de Braga. Foto: DR
António Braga, cabeça de lista da coligação PS/PAN "Somos Braga" à câmara de Braga. Foto: DR
João Baptista, candidato da CDU às eleições autárquicas em Braga. Foto: DR
João Baptista, candidato da CDU às eleições autárquicas em Braga. Foto: DR
Ricardo Silva, cabeça de lista pelo movimento “Amar e Servir Braga” candidata autarquia de Braga. Foto: DR
Ricardo Silva, cabeça de lista pelo movimento “Amar e Servir Braga” candidata autarquia de Braga. Foto: DR
João Rodrigues, cabeça de lista da coligação Juntos por Braga - PSD/CDS/PPM à câmara municipal. Foto: DR
João Rodrigues, cabeça de lista da coligação Juntos por Braga - PSD/CDS/PPM à câmara municipal. Foto: DR
Rui Rocha, candidato da Iniciativa Liberal (IL) à eleições autárquicas em Braga. Foto: DR
Rui Rocha, candidato da Iniciativa Liberal (IL) à eleições autárquicas em Braga. Foto: DR
Carlos Lima, cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) em Braga. Foto: Facebook
Carlos Lima, cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) em Braga. Foto: Facebook
Filipe Aguiar, presidente da concelhia de Braga do Chega e candidato à autarquia. Foto: DR
Filipe Aguiar, presidente da concelhia de Braga do Chega e candidato à autarquia. Foto: DR
Carlos Fragoso, cabeça de lista do Livre à câmara municipal de Braga. Foto: Facebook
Carlos Fragoso, cabeça de lista do Livre à câmara municipal de Braga. Foto: Facebook
Hugo Varanda, cabeça de lista pelo MPT à câmara municipal de Braga. Foto: Facebook
Hugo Varanda, cabeça de lista pelo MPT à câmara municipal de Braga. Foto: Facebook
Francisco Pimentel Torres , candidato do ADN à Camara de Braga. Foto: Facebook
Francisco Pimentel Torres , candidato do ADN à Camara de Braga. Foto: Facebook

Caso Spinumviva também chega às autárquicas em Braga

Como terceira força política mais votada em 2021 com 6,72% dos votos que garantiram a eleição de um dos 11 vereadores do executivo, a CDU arrisca-se nestas eleições a perder o lugar. Os concorrentes diretos são o Chega que apresenta Filipe Aguiar, a Iniciativa Liberal (IL) que leva a eleições o ex-líder do partido, Rui Rocha e o autarca independente Ricardo Silva.

O presidente da junta de freguesia de São Vitor, que fez parte das listas da coligação liderada pelo PSD, CDS-PP até 2021, é o rosto do “Amar e Servir Braga” - movimento “onde cabem todos”. Até a ex. candidata do Chega à camara de Braga em 2021.

“A candidatura da Jenny Silva pode ter causado algum burburinho e impacto aqui na cidade de Braga”, reconhece Ricardo Silva. “Mas, por exemplo, em Maximinos apresentámos um candidato que foi militante do PS e que, nas últimas eleições, concorreu pelo Bloco de Esquerda (BE)”.

A primeira aposta é clara: “a reorganização interna dos serviços municipais”, resume Ricardo Silva. “Até para que o cidadão quando vá à Câmara encontre a possibilidade de resolver todos os assuntos, não tendo que passar por várias capelinhas”, explica arqueólogo de formação.

Serviços municipais que João Rodrigues, vereador desde 2017 e candidato pela coligação “Juntos por Braga”, conhece bem. Ao advogado de 37 anos cabe a tarefa de defender o legado do atual executivo de Ricardo Rio e convencer os descontentes que pode fazer melhor.

“De facto, é uma continuidade com melhorias e eu sei onde é que as vou buscar porque estou há 8 anos na Câmara Municipal. Não caí aqui aos trambolhões”, sublinha o jovem candidato.

Para isso, apresenta como bandeiras eleitorais a “criação de uma circular externa” e de “um parque verde na cidade de 50 hectares”. Mas, João rodrigues tem ainda a sombra do caso Spinumviva para afastar.

O candidato é filho de Joaquim Barros Rodrigues, dono da gasolineira de Braga cliente da empresa de Luís Montenegro. Caso que arrastou o país a eleições antecipadas em maio. E é, precisamente, o desfecho legislativo que deu 31,21% dos votos à coligação AD que o candidato usa como argumento.

“O que aconteceu foi bem esclarecedor sobre aquilo que os portugueses pensam acerca desse caso. Relembro que Luís Montenegro, nas últimas eleições legislativas, venceu em 36 das 37 freguesias de Braga e naquela que não venceu perdeu por 2 votos. As pessoas não são parvas”, remata.

O tema “Spinunviva” foi uma das razões que afastou a IL de uma eventual coligação com o PSD/CDS/PPM.

“O processo [Spinumviva] tem ramificações em Espinho, mas tem o epicentro em Braga”, atira Rui Rocha que, depois de candidato a primeiro-ministro, apresenta-se como cabeça de lista da IL à camara de Braga para tornar a cidade, diz, “na capital do Norte do país”.

A proposta é apresentada em jeito de “desafio provocador”, reconhece o deputado que quer criar a Área Metropolitana do Minho em que Braga assuma um “papel de liderança”.

E caso os liberais não tenham votos “suficientes” para uma vitória, Rui Rocha garante que o partido assumirá “a vereação como oposição”. Isto, ressalva, “sempre no pressuposto de que seja a coligação Juntos por Braga a vencer as eleições”.

Chega à espera de "resultado histórico"

Com uma narrativa “nativos versus migrantes”, Filipe Aguiar do Chega parece não ter dúvidas que a solução para os problemas da cidade, nomeadamente a mobilidade, a saúde e habitação, passa por travar a entrada de migrantes no concelho.

“Os nativos são os mais prejudicados a nível da saúde e da educação. A natalidade também é um problema enorme em Braga e não se fala. Falamos mais em dar boas condições aos imigrantes e, eu estou de acordo, mas antes temos de ter uma atenção muito especial aos nativos”, insiste o, também, presidente da concelhia do partido de Braga que, em 2021, foi candidato do partido à câmara de Vieira do Minho.

Filipe Aguiar defende, por isso, mais fiscalização. “Esse é o caminho: haver um controle e uma fiscalização nos atestados de residência porque isso, de certa forma, vai blindar a vinda de pessoas que sabem que, como não há regras, vêm de qualquer maneira”, simplifica.

Fracassada uma candidatura única das esquerdas, o BE apresenta António Lima como cabeça de lista da candidatura que tem a habitação como prioridade. Tema comum, a par da mobilidade, com o Livre que candidata Carlos Fragoso.

O ADN avança com Francisco Pimentel Torres. O ex. número 2 da IL em 2021 à assembleia municipal aposta no urbanismo.

Hugo Varanda, do MPT, é candidato à Câmara de Braga e à União de Freguesias de Celeirós, Avelada e Vimieiro. Defende a transparência autárquica.

E com tantos candidatos, Fátima, a da banca das castanhas, ainda não se decidiu. Garante que vai votar a 12 de outubro, mas, antes, espera vê-los a todos em campanha. “Olhe eu aqui no meu negócio sou de todos”, atira Fátima. “Que ganhe o que merecer ganhar”.

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