15 out, 2025 - 02:44 • Tomás Anjinho Chagas
O PS vai abster-se na votação, na generalidade, do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026). O anúncio foi feito, durante a madrugada desta quarta-feira, pelo secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, depois de ouvir a Comissão Política Nacional.
Em declarações aos jornalistas, no Largo do Rato, sede nacional do PS, o líder socialista acusou o Governo da AD de "insensibilidade" e de elaborar um documento "vazio" que não vai resolver os principais problemas dos portugueses.
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Ainda assim, José Luís Carneiro admite que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, cumpriu a sua palavra e deixou de fora do OE alguns dos temas mais sensíveis (como a reforma laboral), e por isso anuncia uma "abstenção exigente".
"Cumpridas essas exigências, o PS deverá honrar a palavra dada aos portugueses, não se constituindo para um fator para a instabilidade política. Assumimos assim uma abstenção exigente", afirmou o secretário-geral socialista.
Com a abstenção anunciada, José Luís Carneiro vinca que Luís Montenegro não pode usar o PS como desculpa por eventuais problemas a governar.
"Não queremos que o Governo venha a utilizar a desculpa do voto do PS para esconder a sua incapacidade e incompetência", atira o secretário-geral do PS.
Sobre as autárquicas, o líder socialista voltou a falar num resultado "muito positivo". Apesar da derrota do último domingo, José Luís Carneiro prefere comparar o número de câmaras conquistadas se não houvesse coligações.
"Se fossemos numa disputa mano-a-mano entre PS e PSD nós teríamos 126 câmaras, e o PSD 76. Isto mostra bem como o PS foi capaz de se reafirmar como grande alternativa política no país.
A Comissão Política do PS foi convocada por José Luís Carneiro para discutir os resultados das eleições autárquicas do último domingo, e sobre a posição que os socialistas devem assumir na votação do Orçamento do Estado.
Já ao início da noite, a agência Lusa avançou que José Luís Carneiro iria propor a abstenção na votação do Orçamento do Estado. Durante a campanha, o líder socialista prometeu "contribuir para a estabilidade política".
O Governo não tem apoio de uma maioria no Parlamento, mas uma abstenção dos deputados do PS é suficiente para aprovar o Orçamento do Estado, o maior instrumento de governação em Portugal.