19 out, 2025 - 16:12 • Isabel Pacheco , Diogo Camilo
[Atualizado às 19h00]
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, anunciou este domingo o apoio do partido a António José Seguro nas eleições presidenciais que deverão realizar-se em janeiro do próximo ano.
A proposta apresentada pelo líder socialista foi, entretanto, aprovada na Comissão Nacional do PS, com zero votos contra e apenas duas abstenções.
Reunida em Penafiel, a Comissão Nacional do PS analisou o resultado das eleições autárquicas do último domingo e falou ainda do voto socialista na proposta de Orçamento do Estado para 2026, ao qual o PS se vai abster.
“Tem provas dadas ao serviço dos valores democráticos e constitucionais”, afirmou Carneiro, considerando que apenas "o PS e só o PS que determina o tempo político das suas decisões”.
“Considerando o tempo especialmente exigente social e político que estamos a viver, só a resposta do socialismo democrático poderá responder às exigências fundamentais e quem representa esse campo do socialismo democrático é, no momento, o António José Seguro”, anunciou, este domingo, o secretario geral socialista durante a intervenção que abriu, em Penafiel, a comissão nacional do PS.
O nome de Seguro para as eleições presidenciais foi proposto pelo secretário-geral e o presidente do PS, Carlos César, anunciado na terça-feira. Questionado pelos jornalistas na Assembleia da República sobre o apoio a Seguro, o líder do PS afirmou: "Não posso desmentir".
Depois de uma pausa para os aplausos, Jose Luis Carneiro esclareceu, no entanto, que o apoio a Seguro não coloca em causa “a liberdade do voto” dos militantes. Quanto à timing da decisão, o secretário-geral do PS lembrou que “é o PS que determina o tempo político das suas decisões”.
“Sempre afirmamos que o tempo da decisão seria depois das eleições autárquicas”, vincou.
Em reação à notícia, Seguro disse tomar "boa nota" do apoio socialista, mas reiterou que esta é uma "candidatura aberta" porque o Presidente da República deve estar "acima dos partidos".
"Tomo boa nota dessa notícia, mas não quero nem devo interferir na vida interna dos partidos políticos em Portugal. A minha candidatura foi apresentada há quatro meses, tem vindo a granjear cada vez mais apoios, à esquerda, à direita, ao centro, de pessoas que não têm qualquer filiação partidária, e é aí que vou continuar", disse Seguro.
Das eleições presidenciais para o, ainda, rescaldo das autárquicas, Jose Luís Carneiro reconheceu que o partido “tem trabalho a ser feito” para ir ao (re) encontro dos portugueses. Ainda assim chegou a 12 de outubro com “um milhão e 800 mil votos” a vitória em cinco capitais de distritos.
Condições, diz o líder socialista, para a afirmar “de forma inequívoca o PS como a grande e a única alternativa e credível ao Governo da Aliança Democrática”.
Na comissão nacional do partido, Jose Luis Carneiro justificou ainda a abstenção no Orçamento do Estado para 2026 que diz ser “mau” e “sem credibilidade” com a necessidade de estabilidade do país.
“Os portugueses pedem-nos um contributo para a estabilidade política do país, tanto mais que temos eleições presidenciais. Temos para executar um plano de recuperação e de resiliência (PRR), que é uma obrigação perante as entidades internacionais. E há necessidades de urgência e de emergência que tem de ter uma resposta, seja na saúde, ou na habitação”, justificou o líder socialista garantindo que, apesar da abstenção, o PS não vai falhar com os portugueses.
“Apesar de termos optado pela abstenção, fomos claros de que, em sede de especialidade e de diálogo político, é importante que haja preocupações claras da parte do governo, com matérias que preocupam as pessoas”, lembrou Carneiro elencando as pensões, a habitação, a educação e a saúde como quatro áreas em que o PS não vai ceder.
A comissão nacional do PS decorre em Penafiel na véspera das jornadas parlamentares do partido.