OE2026: Santos Silva diz que abstenção do PS é "a maior maldade" ao Governo
20 out, 2025 - 21:29
Antigo ministro vê com “toda a naturalidade” apoio do PS a António José Seguro.
O antigo presidente do parlamento Augusto Santos Silva classifica a abstenção do PS no Orçamento do Estado como "a maior maldade" que o partido fará ao executivo, que terá de governar e não continuar como "uma mera comissão eleitoral".
Santos Silva participou esta segunda-feira num painel das jornadas parlamentares do PS, que decorrem em Penafiel, acusando o Governo de Luís Montenegro de ter "um especialista em degradar os serviços públicos" e olhar apenas para "segmentos dos funcionários públicos que eleitoralmente lhes escapavam", usando o excedente orçamental para os conquistar.
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"A maior maldade que o Grupo Parlamentar do PS vai fazer ao atual Governo, maldade que o atual Governo merece, é mesmo abster-se no orçamento, impedindo-os de continuar a serem uma mera comissão eleitoral, rapando o fundo do tacho que receberam bem recheado do ministro das Finanças Fernando Medina e dos seus predecessores", disse.
Segundo o antigo presidente da Assembleia da República, essa lógica "pode contentar mais ou menos circunstancialmente vozes mais reivindicativas", mas não usa uma "política de qualificação dos funcionários públicos" para "conseguir aumentar a eficiência dos serviços públicos e a qualidade dos serviços que eles prestam às populações".
"Ora, os socialistas são os primeiros a perceber que o fim último da sua atividade é mesmo a população em geral, os cidadãos em geral, e tudo o resto é instrumental", apontou.
No final da sua intervenção, questionado pelos jornalistas sobre esta sua posição, Santos Silva defendeu que os governos de Luís Montenegro "têm-se especializado" não em ser executivos, "mas sim comissões eleitorais, sempre a preparar a eleição seguinte".
"A viabilização do Orçamento de Estado impede que haja eleições antecipadas mais uma vez e é uma chamada de atenção ao Governo para que o Governo governe. Terá o instrumento orçamental aprovado na Assembleia da República com os seus votos e a abstenção do PS e, portanto, não tem nenhuma justificação para não governar", enfatizou.
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Na reta final da sua intervenção, Santos Silva quis citar Mao Tsé-Tung e defendeu a ideia de que "contar com as próprias forças e ser atacado pelo inimigo não é uma coisa má, é uma coisa boa".
"E já agora atacar o inimigo. O inimigo neste caso é o marasmo e é a tentativa de converter a governação do país num exercício de puro eleitoralismo", enfatizou.
Para o socialista, "contar com as próprias forças é com os recursos, com as autarquias e com esse grande partido popular e nacional que é o PS".
Apoio natural do PS a Seguro
Augusto Santos Silva encara "com naturalidade” o apoio do PS a António José Seguro nas presidenciais, escusando-se a mais comentários depois de já ter defendido que este candidato não cumpria “requisitos mínimos”.
“Vi com toda a naturalidade, não tenho nada a acrescentar sobre as eleições presidenciais ao que já disse”, respondeu.
Perante as várias insistências dos jornalistas, Santos Silva reiterou que não tinha nada a acrescentar e que já tinha tomado a sua posição sobre estas presidenciais “em devido tempo”.
“Vi a decisão tomada pela Comissão Nacional, uma decisão inteiramente legítima, com toda a naturalidade e respeito essa decisão”, acrescentou.
Em janeiro, o dirigente do PS disse que Seguro "não parece cumprir os requisitos mínimos de uma candidatura que possa ser apoiada pelo PS e um vasto campo de forças democráticas", afirmou, acusando-o de ficar "pelas banalidades".
No início de julho, e depois de uma reflexão, Santos Silva anunciou que não se iria candidatar às eleições presidenciais, apesar de ter considerado que as candidaturas que estão no terreno "não cumprem as condições para que um vasto campo social e político possa sentir-se representado nas próximas eleições presidenciais".
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