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Balsemão tinha "relação fraterna até com os adversários políticos", diz João Soares

22 out, 2025 - 00:56 • Ricardo Vieira

Antigo primeiro-ministro e fundador do PSD morreu esta terça-feira, aos 88 anos. Em declarações à Renascença, o socialista João Soares recorda uma carta falsa da PIDE que aproximou Francisco Pinto Balsemão e o seu pai, Mário Soares.

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Francisco Pinto Balsemão, que morreu esta terça-feira, aos 88 anos, foi um “homem da liberdade” que cultivava uma relação fraterna com os adversários políticos, afirma o socialista João Soares.

Em declarações à Renascença, o antigo presidente da Câmara de Lisboa considera que o antigo primeiro-ministro e fundador do PSD era “o oposto” dos atuais tempos de “intolerância”.

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“Era um homem da liberdade, era um homem que tinha uma relação fraterna com as pessoas e até com os seus adversários políticos. E isso é qualquer coisa que importa registar, nestes tempos de intolerância em que crescem algumas forças intolerantes, um pouco por todo o lado, e nos quadros com extremismo que tem estado a aparecer, tempo profundamente desmiolado. É o oposto do que foi sempre o doutor Francisco Pinto Balsemão”, afirma João Soares.

O também filho de Mário Soares considera que Balsemão foi “indiscutivelmente uma das figuras que mais marcaram o combate pela liberdade”, antes e depois do 25 de Abril de 1974.

Nestes declarações à Renascença, o socialista recorda que a relação do seu pai com Francisco Pinto Balsemão ficou mais próxima e fortalecida após uma carta falsa enviada pela polícia política, durante a ditadura do Estado Novo.

"A PIDE mandou uma carta ao doutor Balsemão, como se tivesse sido escrita pelo meu pai, com o papel timbrado falso dele, e com uma assinatura falsificada dele, a indignar-se contra qualquer coisa completamente absurda, e eles imediatamente pegaram o telefone - isso está descrito no livro da Maria João Avillez também, salvo erro, no Portugal Amordaçado - e melhoraram as suas relações pessoais por via dessa provocação da PIDE, de que tinham sido ambos objetos, e riram-se bastante à volta dessa história.”

João Soares sublinha que Francisco Pinto Balsemão e Mário Soares tiveram sempre "muito boas relações, apesar de não serem do mesmo partido", e também com a sua mãe Maria Barroso.

"Era um homem muito de diálogo, além do mais, tem uma outra coisa em comum com o meu pai, o livro de memórias dele é seguramente, a par com o 'Portugal Amordaçado', embora num quadro diferente, porque o dele foi escrito já em liberdade, e o do meu pai foi escrito ainda e publicado ainda durante a ditadura, de 1972, um dos mais importantes livros de memória, que são também história feita por protagonistas da própria história, nos dois casos, Mário Soares e Francisco Balsemão", sublinha João Soares.

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