23 out, 2025 - 19:52 • José Pedro Frazão
A deputada socialista Mariana Vieira da Silva queixa-se de sucessivas iniciativas de intoxicação do debate público. Comentando na Renascença a aprovação da lei que proíbe a utilização, em espaços públicos, da burca ou de "roupas destinadas a ocultar ou a obstaculizar a exibição do rosto", a ex-ministra considera que estão em curso "estratégias de intoxicação do debate público que nos fazem sistematicamente desviar-nos do essencial".
"É preciso procurar desintoxicar o debate político", afirma no programa Casa Comum, recordando debates anteriores como o caso Odair Moniz, agora em fase de julgamento.
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"Passámos muitas semanas - felizmente não aqui, mas em muitos espaços de comunicação - a discutir a forma como Odair Moniz teria sido morto por transportar uma arma branca. Foram dias e dias de discussões sobre a insegurança nos bairros da área metropolitana de Lisboa e de repente, à medida que vamos descobrindo que aquilo que aconteceu não foi nada do que foi relatado, houve um total vazio na comunicação", argumenta Mariana Vieira da Silva.
Já Duarte Pacheco teria votado a favor do diploma que proíbe a burca, mas reconhece que os argumentos usados no debate parlamentar não fizeram sentido. "O debate misturou os direitos das mulheres, problemas religiosos, alguns xenofobismo mesmo, o que não faz sentido nenhum", comenta o antigo deputado do PSD.
O ex-parlamentar admite mesmo que há muitos debates na Assembleia da República em que "qualquer cidadão fica horrorizado". No caso da chamada "lei da burca", Duarte Pacheco distingue o diploma do seu debate: "Compreendo que as motivações que estiveram por trás do autor do projeto fossem condenáveis, mas, de facto, o produto que ele entregou não o era".
A ex-ministra do PS acusa o CDS de estar também a seguir a mesma estratégia de debater temas fora das proporções da realidade.
"Logo depois, o CDS deu a entrada de um projeto para proibir as instituições públicas de hastear bandeiras ideológicas ou reivindicativas. E portanto, tudo isto é uma estratégia muito típica, muito conhecida, de nos manter sistematicamente a falar de temas que não são os temas centrais, que não existem nas dimensões e com a frequência com que aqueles que os propõem falam", insiste Mariana Vieira da Silva na Renascença.
A deputada do PS considera que o único objetivo da proposta do CDS é que nenhuma instituição pública possa colocar num mastro uma bandeira arco-íris no próximo dia 17 de maio, Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia.
"Nem me passava pela cabeça que instituições públicas hasteassem bandeiras partidárias ou de qualquer outro tipo de situações, ou ideológicas", responde Duarte Pacheco, que propõe uma solução: "Se ficarmos com os marcos institucionais, podem pôr um marco ao lado, onde a cada momento pode hastear a bandeira que interessa para um determinado evento ou para marcar uma determinada data".