29 out, 2025 - 19:47 • Manuela Pires
O ministro da presidência garante que não há qualquer relação entre a criminalidade e os imigrantes e que é “falso” falar dos imigrantes como “parasitas do Estado Social.”
Na audição parlamentar no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado, António Leitão Amaro foi questionado pelo Chega e em resposta ao deputado Ricardo Reis disse que não existe qualquer ligação entre os imigrantes e a criminalidade.
“A sua ligação entre crime e imigração é falsa” diz Leitão Amaro.
“E quem faz associações que são desmentidas pelos números está a instrumentalizar e a querer criar uma mentira na sociedade portuguesa. Nós tivemos um quadruplicar irresponsável da proporção de imigrantes na sociedade portuguesa, mas a taxa de criminalidade e os números da criminalidade não tiveram uma evolução correlacionada” responde Leitão Amaro ao Chega.
O ministro acrescentou ainda que é injusto estar constantemente a dizer que os imigrantes vivem à custa de subsídios porque isso é falso.
“Vou-lhe dizer isto, é falso, é falso, é falso que os imigrantes no seu conjunto sejam parasitas, parasitem o Estado Social, nem na sua maioria, nem num número expressivo” concluindo que “não é justo falar das pessoas estrangeiras que vivem em Portugal como parasitas do Estado Social”.
Parlamento
O ministro da Presidência que tutela a comunicação(...)
“Os imigrantes beneficiam de Rendimento Social de Inserção menos do que a sua proporção na população portuguesa, a mesma coisa de apoios sociais, contribuem várias vezes mais do que recebem hoje. No futuro vão receber, mas é falso essa sua ideia de parasitar”, disse em resposta ao deputado do Chega.
Depois de ontem o primeiro-ministro ter anunciado que o governo ia avançar com uma nova lei de retorno de imigrantes, o ministro da presidência disse que no próximo mês a proposta vai ser alvo de discussão pública e deve dar entrada no Parlamento em dezembro.
“No próximo mês colocaremos a proposta em discussão, de forma que, idealmente, em dezembro, possa chegar ao Parlamento um novo regime de retorno de imigrantes” adiantou.
Sem entrar em pormenores sobre a nova legislação, Leitão Amaro assegura que o novo regime deve garantir “por um lado respeito dos direitos fundamentais, alinhamento com a constituição e por outro lado mais celeridade e eficácia”.
No decorrer da audição, o ministro da presidência acusou ainda o Chega de estar obcecado com os requerentes de asilo e explicou que são uma percentagem muito reduzida dos imigrantes.
“O Chega exagera e erra na sua fixação com os requerentes de proteção internacional. Temos um milhão e meio de imigrantes e 65 mil pessoas com proteção internacional, das quais 61 mil estão abrangidas pelo regime da Ucrânia”, explicou António Leitão Amaro.