07 nov, 2025 - 15:33 • Lusa
O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo agradeceu esta sexta-feira, ironicamente, o "elogio" de Cavaco Silva, considerando que ao apoiar Marques Mendes, considera o almirante na reserva o "maior perigo" para o "protegido" do ex-Presidente da República.
"De alguma forma, o senhor presidente - ou ex-presidente - Cavaco Silva fez-me um grande elogio, eu fico muito agradecido: esse elogio é considerar-me o maior perigo para o seu protegido", considerou Henrique Gouveia e Melo em declarações aos jornalistas na Fundação de Serralves, no Porto.
Falando após participar na conferência Fábrica 2030, que assinala o nono aniversário do jornal Eco, Gouveia e Melo disse não concordar com o diagnóstico feito por Cavaco Silva num texto publicado esta sexta-feira no jornal "online" Observador.
"Não acho que haja um processo dinástico em política, não acho que haja um processo de castas ou oligarquias políticas, e não acho que a Presidência deva ser partidarizada", vincou Gouveia e Melo, dizendo estar na corrida presidencial "para dar uma oportunidade aos portugueses de escolherem um ator diferente, com uma posição e um posicionamento diferente: não é dinástico, não vem da casta e, por fim, não vem dos partidos".
Henrique Gouveia e Melo considerou também que o mundo de hoje é "completamente diferente do qual o professor Cavaco Silva enfrentou enquanto primeiro-ministro e enquanto Presidente da República".
"Todos nós que andamos em política esperamos apoios de figuras políticas e figuras não políticas. Esperamos apoios. Eu também tenho muitos apoios. Agora, não vou andar aqui a competir com os apoios do A, B C ou D", disse.
O antigo chefe de Estado e de governo Cavaco Silva declarou apoio ao candidato presidencial Marques Mendes e defendeu que Gouveia e Melo carece de "competências e qualificações" para ser Presidente no quadro de incerteza do próximo mandato.
"O almirante Gouveia e Melo pode ter muitos predicados, mas não possui as competências e qualificações para exercer as funções de Presidente da República no quadro internacional incerto e complexo que se perspetiva para os próximos cinco anos", defendeu Aníbal Cavaco Silva num artigo de opinião no jornal "online" Observador.
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Nesse texto, Cavaco Silva diz entender dever alertar os portugueses "para o risco de instabilidade que Portugal pode correr se for eleito um Presidente sem as competências e qualificações para lidar com as situações difíceis, incertas e complexas com que o país pode ser confrontado e para defender os superiores interesses nacionais".
"Nestes tempos de incerteza e ameaças, é fundamental que o futuro Presidente da República conheça bem o funcionamento das instituições do nosso sistema político, construa pontes e facilite entendimentos entre os partidos políticos, as forças económicas e sociais, o Governo e a oposição e seja capaz de atuar como reserva de último recurso se o país for atingido por uma crise grave", sustenta.
Assim, considera, "pela sua experiência política e pelo seu bom senso e qualificações pessoais, creio que é Luís Marques Mendes quem melhor pode desempenhar essa tarefa".