10 nov, 2025 - 13:59 • Tomás Anjinho Chagas
O Chega quer um aumento de 1,5% nas pensões mais baixas, além das atualizações obrigatórias por lei.
É uma das propostas de alteração ao Orçamento do Estado apresentadas pelo partido, esta segunda-feira, numa conferência de imprensa no Parlamento. A ideia é subir 1,5% as pensões até ao valor de 3 IAS (Indexante de Apoios Sociais), ou seja, reformas até aos 1.567 euros.
André Ventura não é claro em relação ao custo desta medida, mas critica a proposta do Governo, de um bónus nas pensões, caso exista margem orçamental.
"É errado num país onde mais de 30% da pobreza advém dos reformados, é desvirtuar o Orçamento", atira o presidente do Chega.
Ventura assegura que isto está "dentro da margem orçamental que existe" e não "desestabiliza" a margem na Segurança Social. Questionado quanto custa esta medida proposta pelo Chega, o deputado não se atravessou com um valor concreto, disse apenas que sendo aprovado, este aumento "iria aumentar em 4 ou 5% os custos da proposta do Governo".
André Ventura disse acreditar que o tema do aumento das pensões pode levar a um consenso entre PSD, PS e Chega - apesar de o primeiro-ministro já ter recusado liminarmente um aumento permanente, por considerar que desequilibra as contas públicas.
“Acho que há condições para que os três maiores partidos venham a chegar a uma conclusão afirmativa de que aumentar as pensões hoje em Portugal não é uma questão orçamental, não é uma questão de 2025 nem de 2026, é um desígnio histórico”, afirmou André Ventura.
O líder do Chega critica um Orçamento do Estado "mau" que acredita que não ajuda os portugueses a recuperar poder de compra. Apresenta 610 propostas de alteração e vinca quais considera prioritárias além do aumento das pensões: "Não aumentar o preço dos combustíveis, continuar na abolição de portagens".
Ventura enfatiza ainda os aumentos dos apoios aos ex-combatentes e o reconhecimento dos bombeiros e dos camionistas como profissões de desgaste rápido. Questionado quem são os parceiros preferenciais para aprovar estas medidas, André Ventura diz que "não quer saber".
"Francamente não quero saber quem é que aprova. Se conseguirmos diminuir o preço ao combustível para os portugueses, pode ser o Bloco de Esquerda, o PCP, a Iniciativa Liberal ou o PS", atira.
Para as propostas de alteração que faz, convida qualquer partido a aprová-las, mesmo que a contragosto do Governo, tal como aconteceu no passado por exemplo com a abolição das portagens na via do Infante, no Algarve.
Entre as mais de 600 propostas de alteração ao OE, está a redução do IVA para restauração, ou um imposto extraordinário de 10 pontos percentuais sobre a banca.