11 nov, 2025 - 17:01 • Ricardo Vieira
O racismo e a xenofobia não estão a aumentar de forma generalizada em Portugal, afirmou esta terça-feira o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que está de visita a Angola.
Questionado pelos jornalistas sobre o caso de um deputado do Chega que mandou a socialista Eva Cruzeiro “voltar para a sua terra” e outros exemplos, o chefe de Estado recusa generalizações.
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“No outro dia fizeram-me essa pergunta, se eu achava que havia na sociedade portuguesa uma situação que se pudesse generalizar como estado de espírito racista ou xenófobo, nomeadamente relativamente aos povos irmãos de Língua Portuguesa. E eu disse que a minha opinião é que não”, respondeu Marcelo Rebelo de Sousa.
O Presidente da República considera que a situação atual é muito melhor do que, por exemplo, a que existia nos anos 80 do século passado.
Presidente da Assembleia da República realça event(...)
“A realidade atual é incomparavelmente muito melhor do que era nos anos 80. Dir-me-ão: mas há discursos, há sensibilidades, há perspetivas. Mas isso faz parte da democracia que haja pontos de vista que não são necessariamente os maioritários, os generalizados, mas que são pontos de vista que em discurso acompanham uma vaga, uma moda, de outros países”, argumentou.
O chefe de Estado, que está em Angola para as comemorações dos 50 anos da independência, citou Fernando Pessoa, para alertar para o contágio de tendências populistas de outros países.
“Lembro o que dizia um grande poeta português, o Fernando Pessoa, que dizia que um dos nossos problemas é que, muitas vezes, copiamos aquilo que se passa no estrangeiro, mesmo quando não tem nada a ver com o que se passa em Portugal”, afirmou.
Marcelo Rebelo de Sousa considera que é precisamente isso que se passa na questão da imigração.
“E eu acho que esse é um exemplo que se aplica às imigrações. A imigração em muitos países da Europa é uma coisa, em Portugal é outra coisa completamente diferente. O peso esmagador de comunidades de língua oficial portuguesa. Temos mais de um milhão para 1,5 milhões de imigrantes”, sublinhou.