11 nov, 2025 - 17:31 • Tomás Anjinho Chagas
Carlos Moedas, reeleito presidente da Câmara de Lisboa, pede à oposição que "não se esqueça" de quem foi escolhido para governar Lisboa nas últimas eleições autárquicas.
Moedas devolveu os avisos à oposição: "Quem exerce o Governo deve governar, dialogando e encontrando compromissos. Quem exerce a oposição deve deixar governar, fiscalizando a ação de quem governa".
No discurso de tomada de posse, esta terça-feira na Gare Marítima de Alcântara, o autarca lisboeta pede à oposição que se lembre do resultado das autárquicas de 13 de outubro: "Não nos podemos esquecer quem os lisboetas mandataram para governar".
No que toca a si mesmo, promete "abertura ao diálogo", uma vez que volta a governar sem maioria absoluta, o que significa que vai ter de construir com maiorias com a oposição.
O reeleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa lançou algumas das suas ambições para o mandato: "Nos próximos anos queremos ser Capital Mundial da justiça social, Capital Mundial da Inovação e Capital Mundial da Cultura", afirmou.
Moedas assegura que "não tem medo" de "sonhar em grande" e estende o desafio aos outros concenlhos da Área Metropolitana de Lisboa.
O antigo comissário europeu considera que os resultados eleitorais de 12 de outubro "reforçaram a confiança no projeto político e social" que encabeça. Carlos Moedas reconhece que a área da habitação se tornou "uma urgência para cada vez mais famílias" e promete que esse vetor será prioritário para a capital.
"Vamos continuar a ter a habitação como prioridade máxima e em particular a habitação jovem. Serão 700 casas a reabilitar nos bairros históricos da cidade, que serão usadas em arrendamento acessível para jovens", promete o presidente da Câmara de Lisboa.
O líder da coligação "Por ti, Lisboa", quer também expandir novas áreas da cidade e dá o exemplo da Expo ou da Alta de Lisboa que se ergueram nas últimas décadas.
Na área da segurança, Carlos Moedas insiste no que já repetiu tantas vezes, e dirige-se ao Governo: "Exigimos mais PSP e mais polícia municipal, é um imperativo".
Quanto à sujidade em Lisboa, um dos temas que marcou a campanha das autárquicas, Carlos Moedas prometeu a tão esperada "reforma da higiene urbana da cidade".
Para isso, quer o fim da delegação da competências entre a autarquia e as juntas de freguesias e a recolha do lixo comum durante seis dias da semana. Numa mensagem mais política, apela ao consenso: "Estou certo de que é de todos o objetivo de trabalhar por uma cidade mais limpa. Façamo-lo todos juntos".
Na sequência do que tem feito, Carlos Moedas aposta na diversificação e promete "continuar a construir um Estado Social Local", lembrando a construção de novos centros de saúde e creches para os lisboetas.
O presidente da Câmara promete "lançar um programa de rastreio gratuito de cancro do pulmão e do cólon".
Carlos Moedas volta à carga também para pedir ao Governo que acabe com a possibilidade de abrir lojas sem licença prévia das autarquias: "É crucial que o Governo ponha fim ao licenciamento zero, que está a destruir a identidade do nosso comércio local".
Logo no arranque da cerimónia, Alexandra Leitão, vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, avisava que "será difícil" que o PS venha a viabilizar orçamentos municipais da Câmara de Lisboa, que continuará a ser liderada por Carlos Moedas.
O aviso surgiu, em declarações aos jornalistas, esta terça-feira, à entrada para a tomada de posse dos órgãos municipais de Lisboa, na Gare Marítima de Alcântara.
Alexandra Leitão promete que o PS vai ser uma "oposição rigorosa, muito exigente e leal", mas em relação aos próximos orçamentos municipais, a socialista alerta que "vai ser difícil" uma abstenção do PS.
"Não vou antecipar nada sem ver. Não me estando a vincular a nada, em princípio será difícil viabilizar orçamentos deste executivo", afirmou Alexandra Leitão, antiga líder parlamentar e antiga ministra socialista.
Na cerimónia, destinada a empossar os vereadores eleitos nas autárquicas de 13 de outubro, estiveram figuras de peso da política: Aníbal Cavaco Silva, antigo presidente da República, Paulo Portas e Ribeiro e Castro, ex-líderes do CDS, Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e Coesão Territorial, Gonçalo Matias, ministro da Reforma do Estado, Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, Sebastião Bugalho, eurodeputado do PSD, e até João Cotrim de Figueiredo, eurodeputado da Iniciativa Liberal e candidato às presidenciais do próximo ano,
Além disso, marcaram presença figuras de fora do mundo político, como D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal; Rui Costa, presidente do Benfica; e Frederico Varandas, presidente do Sporting.