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Panayiotou, o eurodeputado que "não percebe nada" de política e que foi eleito pelas redes sociais

11 nov, 2025 - 19:48 • Alexandre Abrantes Neves

Veio do Chipre e diz que a receita para o sucesso eleitoral é apelar a uma democracia mais direta e fazer vídeos curtos no TikTok. O consultor de comunicação Sean Topham não discordou, mas deixou o aviso: os eleitores vão ser cada vez mais exigentes com os políticos que conhecem online.

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Apesar de estar numa rota decrescente, a abstenção jovem permanece uma preocupação, todos os políticos o dizem, ainda para mais em eleições europeias onde a participação costuma ser menor – em 2024, em Portugal, não chegou aos 40% e no total da União também não alcançou os 50%.

Os números não são animadores, mas Fidias Panayiotou, eurodeputado pelo Chipre, está disposto a contrariá-los. Com mais de cinco milhões de seguidores nas redes sociais, chegou ao Parlamento Europeu sem “saber nada sobre política” e a ser o candidato mais novo de sempre. Como? Agora contratou uma equipa de política, mas antes foi tudo através das redes sociais e de conteúdos curtos e diretos.

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“Quanto mais tempo as pessoas passam na sua página, mais o YouTube, o TikTok e outras plataformas promovem o seu conteúdo. Assim, se percebermos como funciona a dinâmica das redes sociais, vamos captar a atenção das pessoas. A chave são os conteúdos de formato curto. Por exemplo, se começar um vídeo curto, e nos primeiros três segundos, disser algo com muita energia e a contar uma história, as pessoas vão envolver-se. Eu aprendi todos estes truques”, apontou esta terça-feira, numa intervenção na Web Summit Lisboa.

A estratégia serve para ser eleito, mas ajuda principalmente a “aproximar a política das gerações mais jovens”. Sean Tophan, diretor de comunicação que liderou campanhas de muitos primeiros-ministros, considera que os responsáveis políticos, concordem ou não, têm de se render à evidência de que “ninguém detém o monopólio da verdade” – e que, por isso, as vitórias dependem da eficiência com que se captam eleitores online, a falar-lhes diretamente.

“Têm uma relação direta com os seus eleitores e público. Eles conversam com eles. Há interação direta. Cada forma de media digital tem uma forma de comentar, interagir ou conectar. Se não estão a fazer isso, vão começar a falhar na política. Por isso, acho que teremos mais criadores de conteúdo eleitos para cargos públicos”, afirmou.

Mas uma mão lava a outra e se a facilidade em comunicar é maior, também a confiança e o escrutínio vão existir em dobro, prevê Tophan. O futuro, diz, será de políticos cada vez mais conscientes de que têm de primar pela coerência online, para não desperdiçarem a relação com os eleitores.

Quando os políticos não forem coerentes entre palavras e ações, haverá um boicote ou uma cultura do cancelamento contra estas figuras específicas. Querem desesperadamente confiar nestas instituições e nestas novas figuras, mas se quebrarmos essa confiança, eles vão denunciar e seguir em frente.”

Mas não é só na relação entre políticos no quotidiano que as alterações se podem sentir. Para o “influencer” e político Panayiotou, a democracia atual – “que não gosta é muito problemática” – devia evoluir “tal como passámos dos cavalos para os carros” e caminhar da representatividade (com a eleição de deputados) para a um sistema mais direto, em que os cidadãos conseguem votar na tomada de decisão. E a mudança já pode estar a acontecer.

“No Parlamento Europeu, coloquei uma sondagem dentro de uma aplicação, e as pessoas do meu país, Chipre, estão a votar. Por exemplo, quando houve sanções contra a Rússia, as pessoas do meu país votaram contra as sanções. E é assim que a política deve ser: a vontade do povo. Não há razão para que as pessoas não possam influenciar e moldar diretamente as políticas dos seus partidos”, considerou.

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