17 nov, 2025 - 22:13 • Tomás Anjinho Chagas
No arranque do primeiro debate para as eleições presidenciais, na TVI, António José Seguro defendeu que o "país não precisa de uma revisão laboral nestes termos" e classificou a intenção do Governo como "desequilibrada" e acusou o executivo de não ter negociado o suficiente com os sindicatos.
O antigo líder do PS lamentou, também, que o executivo da AD não tenha trazido esse tema para a campanha eleitoral das legislativas e questionou qual é a necessidade de dar esse passo neste momento.
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Por sua vez, André Ventura criticou os sindicatos que são liderados por pessoas que "não trabalham há 20 anos" e, apesar de considerar que é preciso uma revisão laboral, rejeita aquela que é proposta pelo Governo. O presidente do Chega insistiu ainda que as pessoas devem ser compensadas pelos dias em que não têm transportes, apesar de pagarem o passe mensal.
Num momento mais tenso, António José Seguro acusou André Ventura de "estar na eleição errada" e lamentou que o líder do Chega se tenha transformado em candidato presidencial, quando em maio estava a pedir votos para ser primeiro-ministro: "Borrifou-se para os votos dos portugueses".
Em resposta, André Ventura devolveu as críticas e considerou que Seguro está a "esconder o seu passado" como líder do PS. O antigo líder socialista lembrou que André Ventura esteve muitos anos no PSD.
André Ventura apresentou-se ao ataque várias vezes ao considerar que António José Seguro é responsável por vários problemas que não foram resolvidos por Governos socialistas. " Se tem vergonha da herança do PS assuma".
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O antigo líder do PS procurou manter-se numa linha calma, e depois de um arranque hesitante, conseguiu seguir uma estratégia de esperar para poder retomar o discurso. "Posso terminar?", repetia.
Seguro quis mostrar-se com um tom institucional e uma posse de estadista: "Estou a resguardar-me porque daqui a quatro meses vou recebê-lo em Belém", disse, numa referência às audiências que o presidente da República faz com os líderes partidários.
Ventura sentiu esse tom como uma ofensa: "Está a desqualificar-me, não lhe fica bem".
Num momento de alguma confusão, André Ventura garantiu que não acredita que o Presidente da República seja uma "jarra de enfeitar" e que só "sirva para cortar fitas". O líder do Chega criticou a passividade de Marcelo Rebelo de Sousa perante os casos judiciais em torno do Governo regional da Madeira, liderado por Miguel Albuquerque.
"Não vejo necessidade nenhuma" para mudar os papéis e as competências do Presidente da República, defendeu, por sua vez, António José Seguro. E insistiu que quer ser "agregador" e uma ponte para consensos, nomeadamente na área da saúde. Ventura acredita que essa é "a mesma conversa dos últimos 50 anos".
Quando o debate foi para o tema da saúde, acabou por chegar ao tema das migrações. André Ventura defendeu que quer os "portugueses primeiro" e acusou António José Seguro de fechar os olhos a casos de americanos e canadianos que vêm para Portugal para beneficiar do Serviço Nacional de Saúde.
Em resposta, António José Seguro afirmou que o líder do Chega se dedica a "estigmatizar" a população imigrante, sobretudo do Bangladesh. O antigo secretário-geral socialista defende que Ventura se dedica exclusivamente a apontar problemas e nunca a apresentar solições.
Seguro promete um "pacto para a saúde", procurando um consenso entre vários partidos como uma das principais prioridades para o seu mandato. André Ventura fala em "conversa da treta".