20 nov, 2025 - 13:50 • João Maldonado
Eram 12h30 quando a UGT entrou no Ministério do Trabalho para entregar o pré-aviso de greve geral. Cumprido o formalismo necessário, Mário Mourão, secretário-geral da central sindical, saiu pela porta em que entrou nem cinco minutos passados e fez as prometidas declarações aos jornalistas.
“Até ao dia 11 estamos totalmente disponíveis para o diálogo e para a negociação mas, nesta fase, e uma vez que no nosso entender o processo não começou muito bem - gostaríamos que tivesse começado de outra forma, - se calhar retirar a proposta -, refletirmos todos, começarmos todos de novo naquilo que começou mal. Se calhar seria uma forma de desconvocar a greve.”
Traduzido para miúdos, a UGT quer que o Governo retire todo o pacote laboral apresentado e arranque de novo com as negociações. Como se nada se tivesse passado.
Protesto
Alterações que o Governo quer fazer ao Código do T(...)
Mourão sublinha que o Governo tem todo o direito de apresentar as propostas que entender, mas “muitas medidas não foram discutidas no debate da campanha que houve recentemente”. Convida, por isso, o Ministério liderado do Maria do Rosário Palma Ramalho a mostrar boa-vontade. “Para um acordo tem de haver cedências de parte a parte. A UGT está disponível para encontrar soluções que aproximem as partes para que seja possível um acordo. Contamos que o Governo também dê esses passos.”
Numa contagem decrescente para a greve geral que está mesmo ali ao virar da esquina, a UGT reforça que está disponível para negociar até ao último momento. E que continuará a estar, não encontrados entendimentos até lá, depois de 12 de dezembro. “O tom é o normal de negociação. Às vezes há momentos de tensão, mas isso é natural e não impede de continuarmos a acreditar que o diálogo é a melhor forma de conseguirmos chegar aos nossos objetivos", defende.
De fora da equação fica a possibilidade de ser agendado um segundo dia de paralisação. Mário Mourão esclarece que “nunca” esteve sequer em cima da mesa. “Se virem a entrevista que dei, numa pergunta que a jornalista me fez sobre se o Governo entregasse uma nova proposta, a UGT o que é que faria, [disse que] se entregar uma proposta como a primeira que entregou, provavelmente devíamos estar a discutir dois dias de greve. A UGT não disse que ia marcar dois dias de greve.”
A greve geral é marcada em conjunto com a CGTP, o que não acontecia há mais de 10 anos, ainda no tempo de Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro.