PRESIDENCIAIS 2026
Gouveia e Melo e Catarina Martins admitem demissão do Governo em situação “muito grave” ou “limite”
23 nov, 2025 - 22:19 • Susana Madureira Martins
Antigo militar classifica Catarina Martins como uma declinação sofisticada do marxismo-leninismo”, eurodeputada responde com críticas ao almoço de Gouveia e Melo com André Ventura.
Da Saúde à Habitação, da legislação laboral à Defesa, Henrique Gouveia e Melo e Catarina Martins concordaram em discordar de quase tudo, num “oceano de diferenças”, segundo o antigo militar, mas concordaram em assumir que poderiam demitir um futuro Governo, no caso de virem a ser eleitos para a Presidência da República.
Em mais um frente-a frente televisivo, desta vez na SIC, estes dois candidatos às presidenciais de 18 de janeiro admitiram, atuar no caso de uma situação “muito grave”, no caso de Gouveia e Melo e se se chegar a uma “situação limite”, na visão de Catarina Martins.
Questionado pela jornalista Clara de Sousa sobre como atuaria face a riscos para a democracia e se alguma vez usaria a figura da demissão de um Governo, Henrique Gouveia e Melo disse que “nunca usaria um mecanismo desses”, dizendo-se a favor da “estabilidade” e que só o faria por exemplo “se um governo extremista utilizasse os seus poderes para reverter a Constituição, não em termos formais, mas na prática e nos direitos cívicos e mais fundamentais”.
Já Catarina Martins admitiu ser “crítica” de como o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa usou o poder para dissolver o Parlamento e admitiu fazê-lo numa “situação limite”, dando como exemplo a decisão de Jorge Sampaio quando António Guterres disse que não era capaz de continuar a ser governo, admitindo que foi uma “decisão acertada”. Questionada se admite usar esse poder se for eleita para Belém, a eurodeputada responde com um “espero que não”.
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Catarina, a "declinação sofisticada do marxismo e do leninismo" e Henrique, o que almoçou com Ventura
Num debate vivo de parte a parte, Gouveia e Melo levava a cartilha estudada contra a ex-líder bloquista e logo na primeira intervenção definiu Catarina Martins como uma “declinação sofisticada do marxismo e do leninismo” com “um pé aqui e outro em Bruxelas, eventualmente o seu pé de recuo”.
A ex-bloquista e atual eurodeputada pelo Bloco de Esquerda deu o troco dizendo que "ninguém" a "diminui por ter sido eleita" e pelas "escolhas" que faz, garantindo pelo meio que não irá "passar a campanha a falar de dar posse à extrema-direita, até porque se for eleita quer dizer que há uma maioria que não o quer".
Logo a seguir, a candidata criticou Gouveia e Melo porque "decidiu almoçar com André Ventura a convite de um magnata. Temos de decidir quem defendemos, se são os magnatas ou quem constrói o país com o seu trabalho", o que levou à justificação do antigo militar: "Tenho de conhecer todos os atores políticos".
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Saúde - o modelo "híbrido" do almirante", Catarina Martins pede "autonomia" para os médicos
A Saúde foi um dos temas em que não houve acordo entre os dois candidatos. Catarina Martins defende, por exemplo, "fundamental" que o executivo convoque "enfermeiros para programas de saúde na comunidade" e mais "autonomia" para os médicos. Gouveia e Melo defende que sejam criadas "outras unidades mais perto das populações para evitar que vão aos hospitais".
Questionado por Clara de Sousa sobre o modelo que defende para o setor, o antigo militar defende um modelo "híbrido" entre o setor público e o privado, mas o Estado tem de garantir um SNS "de qualidade". Na resposta, Catarina Martins atirou que "os privados têm ficado com muito dinheiro e não têm feito nada de jeito".
Defesa - "não há nenhuma guerra", diz Gouveia e Melo
A Defesa foi o último tema do debate e Gouveia e Melo foi questionado se mantém o que disse sobre "ir morrer onde fosse preciso" em nome da NATO. O antigo militar disse que mantém, mas ressalvou que "não há nenhuma guerra", recusando qualquer contradição com o que disse antes.
"Onde há uma contradição é a deputada dizer que nos devemos desarmar unilateralmente", atirou Gouveia e Melo a Catarina Martins que ripostou logo: "Nunca disse isso". A candidata referiu que "sempre" defendeu o multilateralismo "em tudo".
Gouveia e Melo responsabilizou ainda Catarina Martins por se estar hoje a debater o aumento da despesa em Defesa. "É por querer que o país se desarmasse que estamos com isto dos 5%", atirou o almirante. A bloquista reconheceu, contudo, que foi contra o aumento da despesa neste setor, acusando os "interesses" da indústria de armamento e da corrupção.
O próximo debate televisivo é já esta segunda-feira entre João Cotrim de Figueiredo, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal e Jorge Pinto, o candidato que tem o apoio do Livre. Um frente-a-frente marcado para as 21H00 na RTP.
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- 13 jun, 2026










