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Presidenciais 2026

Gouveia e Melo vs. Jorge Pinto: Sócrates irritou, revisão constitucional uniu

26 nov, 2025 - 22:41 • Tomás Anjinho Chagas

Almirante na reserva irritou-se com a pergunta sobre o apoio de José Sócrates. Jorge Pinto desafiou Gouveia e Melo a perguntar o que faria caso a direita fizesse uma revisão constitucional sem a esquerda. Reforma laboral e combate aos extremismos foram também abordados.

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Nova noite, novo debate: esta quarta-feira, na CNN Portugal, Henrique Gouveia e Melo esteve frente a frente com Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre.

O tema do apoio de José Sócrates, que esta quarta-feira revelou que vai votar no almirante na reserva, enervou Gouveia e Melo. Jorge Pinto, que já foi militante do PS, distanciou-se do antigo primeiro-ministro.

Lei Laboral

No arranque do debate, o jornalista Alberto Carvalho abordou a reforma da lei laboral, que motiva a greve geral convocada para o dia 11 de dezembro. Gouveia e Melo lamentou que os temas de debate sejam parecidos com os abordados nos debates para as legislativas.

Ainda assim, clarificou a posição hesitante que mostrou durante o debate contra Cotrim de Figueiredo: "Qualquer candidato que comente pode perturbar essas negociações", que ainda decorrem entre o Governo e a concertação social.

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O almirante na reserva repete que é preciso "flexibilizar a economia", mas volta a avisar que pode atacar o "núcleo duro" dos direitos dos trabalhadores.

Por sua vez, Jorge Pinto, deputado e candidato apoiado pelo Livre, assinalou que esta quarta-feira se assinalam os 10 anos de tomada de posse do Governo da Geringonça, liderado por António Costa. O candidato do Livre fala num Governo de "estabilidade" e lembra que foi o último que durou os quatro anos de uma legislatura. Nesse sentido, elogiou o Presidente Cavaco Silva, que obrigou a que os partidos assinassem um acordo escrito para assegurar a estabilidade.

Sobre a lei laboral, Jorge Pinto defende que, das medidas apresentadas pelo Governo, "todas servem para piorar a vida dos trabalhadores".

Questionado se defende o Rendimento Básico Incondicional - um sistema que o próprio Jorge Pinto defendeu num livro, que prevê uma prestação do Estado para cada cidadão, suficiente para uma vida digna, atribuído a todos os cidadãos independentemente dos seus rendimentos - para contrariar um futuro de desemprego em grande escala devido à Inteligência Artificial, o deputado do Livre acredita que poderia ser testado.

Henrique Gouveia e Melo insiste que não devemos "ter medo" da Inteligência Artificial e lembra que esta tecnologia pode ser uma oportunidade para ocupar postos de trabalho, num futuro em que o país vai ter de contrariar a tendência de envelhecimento da população.

Combate aos extremismos? "É possível"

Gouveia e Melo defendeu que "é possível" combater a polarização e o crescimento dos extremismos em Portugal. "Os partidos tradicionais têm de fazer uma reflexão. Perderam muitos eleitores para os partidos extremistas", lembra.

"O Presidente tentou fazer o melhor que podia", respondeu quando questionado se o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tentou travar o crescimento do extremismo em Portugal.

Jorge Pinto fala numa ameaça real para Portugal, que vem de fora e de dentro. E assinala que o Chega "faz parte" de um movimento "reacionário internacional".


Revisão constitucional só à direita

Desafiado por Jorge Pinto a dizer se aceitaria, enquanto Presidente da República, uma revisão constitucional feita só à direita, excluindo, por exemplo, o PS, Henrique Gouveia e Melo respondeu que isso não seria desejável, mas admite que o chefe de Estado deve respeitar as maiorias que se formam no Parlamento.

Mas logo a seguir, Gouveia e Melo afirmou que a Constituição, como está, serve o seu propósito. E desafiado novamente para clarificar o que faria se a direita quisesse fazer uma revisão constitucional sem um consenso alargado, o militar na reserva voltou a um artigo que publicou no Expresso, para sugerir que isto poderia levar à dissolução do Parlamento.

Gouveia e Melo considera que uma "quebra do contrato" entre eleitor e eleito podia levar à dissolução do Parlamento, e acredita que essa revisão, se não tivesse sido uma promessa eleitoral, poderia levar à dissolução do Parlamento.

Jorge Pinto já tinha dito que no caso de uma revisão constitucional que exclua a esquerda parlamentar, dissolve a Assembleia da República.

Justiça demasiado lenta

O tema seguinte foi a morosidade da justiça, com o exemplo do julgamento no âmbito da Operação Marquês: "Dez anos para julgar um caso é excessivo", defende Gouveia e Melo. O almirante na reserva defende que "é péssimo" quando a justiça interfere na política e vice-versa.

Jorge Pinto considera que "o exemplo tem de vir de cima, temos de ter governantes absolutamente irrepreensível", e defende que é "insustentável" casos como a Operação Marquês ou a Operação Influencer.

"Se o poder político não pode imiscuir-se no poder judicial, o poder judicial não pode ser um ator político", defende o deputado do Livre.


Sócrates? "Não tenho nada a ver com isso"

Na noite em que José Sócrates, antigo primeiro-ministro, em entrevista à CNN Portugal, anunciou que vai votar em Henrique Gouveia e Melo nas presidenciais de 18 de janeiro, o militar na reserva ficou visivelmente irritado quando o tema foi puxado para cima da mesa, e quando foi questionado se isso o deixa satisfeito ou incomodado com esse apoio.

"O engenheiro José Sócrates votará em quem desejar, não tenho nada a ver com isso. Essa pergunta parece-me provocatória e deslocada deste debate", respondeu Gouveia e Melo.

O jornalista José Alberto Carvalho diz que faria a pergunta a qualquer candidato que tivesse tido o apoio público de José Sócrates. "Acho estranho que me tenha feito essa pergunta", retorquiu.

Jorge Pinto, questionado se ambicionava o apoio do antigo primeiro-ministro, lembra que foi militante do PS e afastou-se de José Sócrates antes de surgirem os primeiros casos judiciais.

"Quando fui militante do PS, ainda Sócrates era secretário-geral, e mandei um email a dizer que não apoiava a sua recandidatura. Estou de consciência tranquila, muito antes de todos os escândalos, já eu me tinha afastado", afirmou o deputado do Livre e candidato a Belém.

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