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Presidenciais 2026

Debate André Ventura - Catarina Martins: mais ofensas que ideias

28 nov, 2025 - 22:43 • Tomás Anjinho Chagas

Debate foi marcado pela constante troca de acusações e ofensas entre os candidatos presidenciais. Ventura acusa Catarina Martins de querer impor "censura" nas redes sociais. Bloquista responde que foi o deputado do Chega quem a tentou censurar ao colocá-la em tribunal. Poucas ideias foram debatidas.

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A expetativa era essa, a realidade confirmou-o. O perfil combativo de André Ventura e de Catarina Martins abriram uma trincheira no debate entre os dois. Esta sexta-feira, na CNN Portugal, os dois candidatos a Belém pouco falaram sobre o que deve fazer um Presidente da República.

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A esmagadora maioria do tempo foi preenchido com ofensas pessoais e acusações graves de um lado ao outro. De "má atriz" a "pantomineiro", a estratégia foi combater fogo com fogo. Foram 30 minutos incendiários.

Imigração, a "má atriz" e o "pantomineiro"

No arranque do debate, André Ventura foi questionado sobre o caso dos militares da GNR e um PSP suspeitos de exploração de imigrantes em Beja, mas o candidato apoiado pelo Chega preferiu falar da rusga a um centro comercial, esta sexta-feira, na Amadora.

Instigado a comentar o caso que envolve efetivos das forças de segurança, André Ventura condena tanto quem está em Portugal enquanto "imigrante ilegal" como quem "explora" as pessoas nessas circunstâncias.

Em resposta, Catarina Martins criticou a utilização da expressão "imigrante ilegal" e afirmou que o Chega tem na sua bancada parlamentar duas pessoas que foram "imigrantes ilegais". André Ventura ripostou e disse que isso é "mentira".

A antiga coordenadora do Bloco de Esquerda deu o exemplo da recente vitória da seleção portuguesa no Mundial de Sub-17, só possível devido a um golo de Anísio Cabral, filho de imigrantes. "O André Ventura odeia Portugal", atira.

A frase fez subir a temperatura do debate. André Ventura contra-atacou e acusou o Bloco de Esquerda de "despedir grávidas". Catarina Martins respondeu na mesma moeda: "Isso é mentira."

Nos atropelos entre um e outro, André Ventura lembrou o passado profissional de Catarina Martins, classificando-a como uma "má atriz". A eurodeputada do Bloco de Esquerda devolveu: "Não seja pantomineiro." Numa enxurrada de ofensas entre um e outro, o debate foi depois para o controlo de fronteiras.

"Foi a visão que o Bloco de Esquerda teve para a sociedade que permitiu que o crime de tráfico humano aumentasse mais de 50% em 2023, que o auxílio à imigração ilegal aumentasse 300%. Isso é gravíssimo", afirmou André Ventura.

O líder do Chega acusou o Bloco de Esquerda de ter acabado com o SEF e Catarina Martins assumiu ser contra a existência do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. A ex-coordenadora bloquista corrigiu, depois, Ventura. "Mas há polícia de controlo de fronteiras. Não insulte as forças de segurança", referindo-se aos militares da GNR que ficaram com algumas das funções, depois da extinção do SEF.

Os ânimos voltaram a agitar. André Ventura levantou uma fotografia com uma fila de imigrantes, tirada durante a rusga no centro comercial na Amadora, que estariam alegadamente em situação irregular, e dirigiu-se a Catarina Martins: "Esta gente, que está aqui ilegal, devia ir para sua casa."

Crimes de ódio na internet

O debate foi levado para os crimes de ódio, cometidos no ciberespaço. Catarina Martins afirma que existe uma "grande ligação entre o discurso de ódio e a extrema-direita", defendendo que deve haver "mecanismos de regulação do que se passa na internet, como há na comunicação social". Ventura responde: "É censura."

O líder do Chega acusa o Bloco de Esquerda de querer impor "censura" nas redes sociais porque elas acabaram com "50 anos de domínio da comunicação social".

Catarina Martins recusa essa ideia e recorda um caso que foi levado a tribunal depois de chamar "racista" a André Ventura. "A única pessoa que tentou calar alguém e intimidar alguém foi André Ventura. Aliás, perdeu esse processo, porque é só tonto", desferiu.

André Ventura apontou diretamente à vida profissional de Catarina Martins: "Não fui eu que deixei de ser deputado e fui contratado pelo meu próprio partido, às escondidas." Catarina Martins respondeu: "Eu incomodo-o tanto..."

O líder do Chega acusou Catarina Martins de "apoiar países islâmicos", acusação que a eurodeputada bloquista respondeu com a ajuda que deu a tentar retirar mulheres que estavam sob ameaça do regime dos Talibã, no Afeganistão.

Até ao fim do debate, houve ainda tempo para o líder do Chega acusar Catarina Martins de estar contra a atribuição do prémio Nobel da Paz a Maria Corina Machado, opositora de Nicolas Maduro na Venezuela. A antiga líder do Bloco de Esquerda não negou, adiantando que preferia que a distinção tivesse sido atribuída aos jornalistas que estiveram a cobrir "o genocídio em Gaza".

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