Presidenciais 2026
Mendes e Seguro querem explicações da PGR sobre operação Influencer: "É inqualificável" e "muito grave"
03 dez, 2025 - 23:08 • Manuela Pires
A Operação Influencer, as escutas a António Costa e a reforma da justiça marcaram o debate desta noite na RTP entre António José Seguro e Marques Mendes, onde o candidato apoiado pelo PSD quis marcar a diferença pela atitude que vai ter em Belém: “Eu sou mais interventivo”.
Luís Marques Mendes e António José Seguro querem explicações do Ministério Público sobre a Operação Influencer e as escutas a António Costa.
No debate desta noite na RTP, o antigo líder socialista António José Seguro disse estar “preocupadíssimo” com as escutas e com o que aconteceu há dois anos que levou à queda do Governo de António Costa.
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“Há dois anos a procuradora-geral da República colocou num comunicado que o primeiro-ministro de Portugal estava a ser investigado, e passado dois anos não há absolutamente nenhum facto que prove essa justificação. Dois anos, num caso destes, é uma situação muito grave”, disse Seguro.
“Ninguém é responsável. E ninguém responde. a situação é, do meu ponto de vista, grave”, conclui o candidato com o apoio do Partido Socialista.
"Os jornalistas não assaltaram o Ministério Público"
Marques Mendes também quer explicações por parte do Ministério Público e garante que a violação do segredo de justiça, que considera “gravíssimo”, não se resolve com um processo contra a revista Sábado, como anuncia esta quarta-feira a PGR.
“A violação do segredo de Justiça é gravíssima, mas não se resolve como o Ministério Público pretende, com uma participação crime contra a revista Sábado e os seus jornalistas. Os jornalistas não assaltaram o Ministério Público, alguém lhes passou a informação. Então, logo, devia ser investigado exatamente quem é que passou aqui a informação”, exige Marques Mendes.
“Quando foi da Operação Influencer foram descobertos 75 mil euros em notas, escondidas no gabinete do chefe de gabinete do primeiro-ministro. Ninguém até hoje deu uma explicação cabal e definitiva”, refere Marques Mendes.
O candidato apoiado pelo PSD concorda com António José Seguro e considera que é “inqualificável” que o caso ainda não tenha conhecido desenvolvimentos em dois anos, ou arquivamento ou a acusação.
Duas abordagens para a crise na Justiça
Embora os dois candidatos estejam de acordo quanto ao diagnóstico da justiça, a divergência surge quanto às soluções para resolver a “doença”.
Marques Mendes que diz ser “mais interventivo” que o adversário e aposta num entendimento entre os partidos.
“Eu gosto de ir mais à frente, sou mais interventivo e começa-se, em primeiro lugar com um entendimento de carácter interpartidário, não é possível de outra maneira”, defende o candidato apoiado pelo PSD, que conclui que os políticos têm responsabilidades nesta matéria.
Seguro insiste em pedir explicações e encontrar os responsáveis pela atual situação na justiça. Pergunta a Mendes o que andou a fazer estes anos no Conselho de Estado, que é o órgão de aconselhamento do Presidente da República.
“Luís Marques Mendes diz que é muito interventivo, é membro do Conselho de Estado há 15 anos, podia ter aconselhado os presidentes da República a poderem agir e terem feito esse pacto na justiça, porquê é que não o fez?”, questiona Seguro, que considera prioritárias as reformas na área da justiça administrativa e fiscal.
“Um empresário de Leiria disse-me que está há 21 anos com um processo no Tribunal Fiscal. Isto é uma coisa inaceitável”, remata Seguro.
Moderação e combate à pobreza
Ao longo do debate cada um dos candidatos quis deixar a sua marca. Mendes vai combater a pobreza e Seguro é o mais moderado de todos os candidatos.
“Eu quero avançar no domínio social e no combate à pobreza. E por isso eu vou instituir um fórum anual de combate à pobreza, agregando Governo, partidos e instituições sociais e mobilizando mais apoio”, disse Marques Mendes.
António José Seguro, que tem na sua frente o candidato apoiado pelo partido do Governo, quer deixar claro que o país, que está cada vez mais “fragmentado”, precisa de um Presidente em Belém que seja moderado e que pertença a outro campo político.
Seguro dá o exemplo da lei da nacionalidade e dos estrangeiros que foram aprovadas no Parlamento com o apoio do Chega.
“Em duas matérias que são estruturantes para o nosso chão comum, para a nossa democracia, a escolha foi precisamente com a direita. A pessoa que está em melhores condições de um outro campo político para exercer essas funções de Presidente da República com moderação, com agregação, com respeito, sou eu”, garante Seguro.
Sobre o pacote laboral os dois candidatos recusam dar opinião sobre as propostas de alteração propostas pelo Governo, embora António José Seguro faça uma leitura negativa.
“Tenho uma tendência no sentido de ter uma leitura negativa se o decreto chegar a Belém nos termos em que neste momento são conhecidos. Tenho essa tendência e ponderei verdadeiramente esta palavra”, diz o antigo líder do PS.
Marques Mendes nada diz sobre o conteúdo da lei, mas está satisfeito porque o ambiente está mais leve e há um equilíbrio com a UGT.
“Estou muito feliz porque o ambiente está muito desanuviado, que é equilíbrio e UGT. É importante um acordo com a UGT e acho que vai haver um acordo com a UGT um dia mais tarde, depois da greve”, aponta Marques Mendes.
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