05 dez, 2025 - 13:11 • Ana Kotowicz
A greve geral de 11 de dezembro "não faz sentido". Luís Montenegro, que esta sexta-feira esteve no Parlamento para o debate quinzenal, voltou a afirmar o que já tinha dito antes: o protesto tem motivações políticas e não faz qualquer sentido do ponto de vista dos trabalhadores.
"Estou em casa e penso: 'vou fazer greve porquê?'", questionou o primeiro-ministro, colocando-se na pele dos trabalhadores portugueses, durante a abertura do debate, que, na sua opinião, não entendem o momento e os motivos da greve.
"Eu vou fazer greve porque estou a ganhar menos? Não, eu estou a ganhar mais. Eu vou fazer greve porque estou a pagar mais impostos sobre o meu trabalho? Não, eu estou a pagar menos impostos. Eu vou fazer greve porque o meu emprego está em perigo? Não, na grandíssima maioria dos casos o meu emprego não está em perigo", concluiu Montenegro.
E foi assim, pergunta retórica atrás de pergunta retórica, que o primeiro-ministro questionou o porquê da greve geral convocada pelas duas centrais sindicais, CGTP e UGT, e à qual vários sindicatos, incluindo independentes, já se juntaram.
No seu entender, o protesto faria sentido depois de discutidas as alterações ao Código do Trabalho e caso se viessem a revelar que estas mudanças eram más para os trabalhadores — ideia que refuta.
"Eu devo esperar para saber se vem aí alguma coisa que efetivamente prejudique a minha vida", disse Montenegro, que garante — de novo vestindo a pele de trabalhador, desde vez sindicalizado —, que os seus direitos não estão postos em causa com o pacote laboral do Governo.
"Eu trabalhador sindicalizado, vou ler o que está hoje na mesa das negociações e concluo: não, não vem aí nenhuma revolução, não vai haver nenhuma perda daquilo que são os meus direitos, vai haver a valorização da nossa economia e, portanto, vale a pena continuar a trabalhar e esta greve não faz sentido", considerou.
Durante esta intervenção — que surgiu em resposta a Hugo Soares, líder da bancada do PSD, que recordou que durante os oitos anos de António Costa no Governo houve zero greves gerais — Luís Montenegro frisou que a revisão laboral estava no programa eleitoral do seu partido, assim como no acordo tripartido assinado em 2024.
No final, volta a dizer que esta é uma greve "política" que motiva os que "nunca, nunca chegarão a acordo" — leia-se CGTP —, acusa os partidos de esquerda de quererem "desviar a atenção" para que nada mude nas leis que regulam o trabalho, e aponta o dedo à UGT por "ter caído na armadilha da CGTP" ao juntar-se ao protesto, algo que não acontecia há 12 anos.