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PRESIDENCIAIS 2026

Seguro vs. Catarina: Da "abstenção violenta" à NATO ou de como a vingança à esquerda se serve fria

06 dez, 2025 - 23:52 • Susana Madureira Martins

Catarina Martins considera que o procurador-geral da República está "fragilizado" na sequência das escutas ao antigo primeiro-ministro António Costa, que foram recentemente divulgadas. Se for eleito, António José Seguro quer ouvir Amadeu Guerra em Belém.

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Tal como já havia feito Jorge Pinto, também Catarina Martins socorreu-se da “abstenção violenta” do PS no Orçamento do Estado de 2012 e a viabilização do pacote laboral da era Passos Coelho pelos socialistas para criticar duramente António José Seguro, que considerou “injusta” a colagem ao Governo da AD.

Foi o momento mais tenso do debate na SIC entre os dois candidatos à Presidência da República, na tentativa de segurar o voto do eleitorado da esquerda. Por diversas vezes, a eurodeputada e antiga coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) tentou colar-se a dois ex-Presidentes da República da área do PS, Mário Soares e Jorge Sampaio, para separar as águas sobre quem à esquerda escolheu dialogar à esquerda e não à direita.

“A pergunta é, porque não temos um Jorge Sampaio nestas eleições?”, começou por questionar Catarina Martins, dando a resposta de imediato: “Não temos, porque fez um percurso de diálogo à esquerda que foi muito importante e depois teve todo o apoio da esquerda para ser Presidente da República”.

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Em relação a Seguro, a ex-coordenadora do BE diz que fez o percurso inverso, acusando o ex-líder do PS que, durante o período da Troika “decidiu fazer acordo com a direita e acordou com a direita, mesmo com a a direita tendo maioria absoluta, orçamentos do Estado e leis laborais que iam contra a Constituição”.

Se na tomada de posse o Presidente da República jura cumprimento à Lei Fundamental, Catarina Martins conclui, assim, implicitamente, que António José Seguro não está capacitado para o fazer. Sobre si própria, tentou mostrar que, no tempo certo, agiu conforme a Constituição.

“Enquanto estava a fazer isso eu estava com Mário Soares a lutar por uma política europeia contra a austeridade, estava com deputados do PS a ir ao Tribunal Constitucional para devolver os subsídios de férias e de Natal”, disse Catarina Martins, que rematou: “Isso separa-nos”.

Tal como já tinha feito no debate com Jorge Pinto, o candidato apoiado pelo Livre, António José Seguro defendeu-se com o “compromisso” que diz ter tido com o “interesse nacional”. “Só me posso rir”, começou por dizer o candidato apoiado pelo PS, negando que tivesse acordado qualquer Orçamento do Estado com Passos Coelho e justificando que a “abstenção violenta” como resultado da sua “convicção”, porque o “objetivo era o ajustamento”.

Não me aliei em nenhum momento à direita, tive de honrar a palavra”, explicou-se ainda Seguro, garantindo que se opôs a “tudo” o que “não estava” no memorando de entendimento da Troika.

“Foi graças a mim que se impediu que se avançasse para uma revisão constitucional para alterar os limites ao endividamento”, defendeu-se ainda o ex-líder socialista, que acusou Catarina Martins: “Na altura defendeu a política do Syriza”, referindo-se ao partido de esquerda que estava naquela altura no poder na Grécia e que enfrentou graves problemas de financiamento internacional.

Referindo que não procura “diferenças” com Catarina Martins, o ex-líder do PS considerou que “não é justo” associá-lo ao governo de Passos Coelho, criticando “essa coisa de tentar agarrar-se ao património de Mário Soares”, tentando puxar pela candidata apoiada pelo BE: “Estivemos do mesmo lado para a defesa do povo português”.

Percebendo que já não era possível navegar nas mesmas águas de Catarina Martins, o candidato apoiado pelo PS atirou: “Se alguém faltou à esquerda foi quando o BE chumbou dois orçamentos do PS”, referindo-se às propostas do Governo minoritário de António Costa de 2019 a 2021.

“Temos uma hegemonia de direita e precisamos de ter uma pessoa moderada que seja capaz de dialogar com todos os setores”, defendeu ainda Seguro. De Catarina Martins, o candidato apoiado pelo PS ainda ouviu mais adiante que “quando foi preciso escolher entre a Constituição e a austeridade escolheu a austeridade” e que durante a Geringonça o BE “cumpriu” o que estava acordado.

Take 2 das diferenças – A NATO

Na reta final do debate, surgiu o tema da política externa, da NATO e da segurança e Catarina Martins foi, de novo, confrontada com a posição de sempre do partido que liderou, sobre a necessidade de dissolução da NATO. A candidata tentou desviar o assunto, referindo que mesmo o PS, em tempos, “também teve no seu programa que era preciso a dissolução do pacto de Varsóvia como da NATO”, referindo ainda que “história da democracia é construída assim, é assim a Constituição”.

Questionada sobre o que quer dizer exatamente esta posição, Catarina Martins justificou que “há uma diferença entre sair e a dissolução, o que está na Constituição é a dissolução”. A eurodeputada ainda tentou desviar o debate para a situação na Palestina, lamentando que Portugal continue a importar produtos de Israel, mas logo a seguir Seguro aproveitou para servir fria a sua própria vingança.

Serei leal à Constituição e à necessidade de continuarmos como membros da NATO para garantir a nossa segurança”, sentenciou o candidato apoiado pelo PS, referindo que, “nos passos” de Mário Soares e Jorge Sampaio, quer “afirmar a aliança entre os Estados europeus e os Estados do outro lado do Atlântico”.

António José Seguro considera que a Europa “deve aumentar a sua autonomia estratégica na Defesa e Segurança, mas não deve nunca deve sair da NATO” e “ainda menos” defende a extinção da NATO, “ao contrário de Catarina Martins”, rematou.

A eurodeputada optou, então, por desviar de novo da NATO para o efeito Donald Trump. “Já debati com quatro homens que me dizem que a NATO era a nossa segurança, esquecendo-se que quem manda na NATO é Donald Trump”, referindo-se ao presidente dos Estados Unidos da América como “o perigo”.

Ainda sobre o presidente Trump a eurodeputada pediu: “Não vamos por a raposa no galinheiro, vamos proteger, vamos ter segurança”. Antes de terminar o debate defendeu ainda que “a esquerda precisa de muito mais clareza e de menos jogos e menos calculismo”.

Catarina Martins diz que PGR está “fragilizado, Seguro quer ouvir Amadeu Guerra a Belém

O arranque do debate foi menos tenso e dominado pela atualidade em torno da divulgação de escutas ao ex-primeiro-ministro António Costa, com a candidata presidencial a referir que a situação é “muito preocupante” e que “já precisávamos antes, precisamos cada vez mais de um procurador-geral da República (PGR) que explique”.

Questionada pela jornalista Clara de Sousa, Catarina Martins admitiu que Amadeu Guerra “fica fragilizado” com a divulgação destas escutas no âmbito da Operação Influencer. “Ter medo da Justiça ninguém pode ter”, concluiu a eurodeputada.

António José Seguro sobre este tema tentou esquivar-se sobre a situação do PGR, referindo que é a Justiça que está “fragilizada” e que há perguntas que “em democracia têm de ter respostas”. Questionado sobre a recondução ou não do PGR, Seguro garantiu que, se for eleito, “uma das primeiras iniciativas” que terá é pedir uma reunião com o PGR.

Os debates presidenciais prosseguem no domingo, com um frente a frente, na TVI, entre João Cotrim de Figueiredo e Luís Marques Mendes.

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