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Salários

Carneiro acusa Montenegro de "leilão pouco digno" em vésperas da greve geral

07 dez, 2025 - 18:04 • Alexandre Abrantes Neves

Depois de o primeiro-ministro colocar a meta para o salário mínimo nos 1.600 euros, o líder do PS critica Montenegro por acenar com valorizações salariais poucos dias antes da greve geral. Sobre a reforma laboral, José Luís Carneiro insiste: "É um ajuste de contas".

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O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considera que as declarações do primeiro-ministro sobre salários foram “pouco dignas” e lamenta que Luís Montenegro acene com “leilões” de valorizações salariais a poucos dias da greve geral, marcada para a próxima quinta-feira.

O chefe do Governo disse este sábado, no encerramento do X Congresso Nacional dos Autarcas Social-Democratas no Porto, que o executivo quer que o “salário mínimo chegue aos 1.500 ou 1.600 euros” e o salário médio a tocar nos “ 2.500, 2.800 ou 3.000 euros”.

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Esta tarde, em Lisboa, José Luís Carneiro considerou que todos “aspiram a que os trabalhadores possam ter melhores condições”, mas considerou que as matérias salariais devem ser tratadas nas reuniões da concertação social. as palavras do primeiro-ministro

[Os trabalhadores] não merecem que lhes faça isto numa altura em que os seus representantes estão a preparar, e já depois de tomarem uma decisão naturalmente muito refletida sobre uma greve geral. É pouco digno de um primeiro-ministro, em vésperas de uma greve geral, estar com esta espécie de leilão de valorizações salariais. Essas discutem-se em função do crescimento da economia do país, das previsões para o nosso futuro, em sede de concertação social”, criticou.

Sobre o impacto das palavras de Montenegro na adesão à paralisação (a primeira conjunta entre UGT e CGTP desde os tempos da troika), o líder socialista disse apenas que “os trabalhadores estão conscientes da gravidade da reforma laboral”.

Carneiro aproveitou, no entanto, para deixar reiteradas críticas ao pacote legislativo por não cumprir a promessa do Governo e “não acompanhar os desafios globais”, como a inteligência artificial, a transição energética e digital.

“Quando fiz a pergunta ao primeiro-ministro, de quais eram as normas desta legislação laboral que podem dar resposta a estes desafios, o primeiro-ministro não foi capaz de responder. Trata-se de uma abordagem ideológica e de um ajuste de contas com uma lei que foi aprovada na Assembleia da República, na altura com a abstenção do PPD, mas é um ajuste de contas com a Agenda para o Trabalho Digno”, defendeu.

O secretário-geral socialista falava no Pavilhão de Portugal, em Lisboa, à entrada para uma homenagem a Mário Soares, fundador do PS que faria este domingo 101 anos. José Luís Carneiro falou de Soares como um exemplo que ainda hoje serve de inspiração à ação do partido e de todos aqueles que “amam a liberdade”.

“Todos os dias procuramos mostrar como esta é mesmo a casa que honra e que dignifica os valores que, antes e depois do 25 de Abril, procuraram criar melhores oportunidades de vida para todos. Democracia, liberdade e bem-estar. É isso que hoje estamos aqui, em certa medida, a celebrar e a reafirmar como compromissos para o futuro”, afirmou.

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