09 dez, 2025 - 21:40 • Tomás Anjinho Chagas
A temperatura política subiu durante o debate desta terça-feira à noite entre os Gouveia e Melo e António José Seguro.
No arranque do frente a frente, na SIC, os candidatos foram desferindo golpes na imagem pública um do outro, numa altura em que as sondagens mostram que podem estar a disputar eleitorado em comum à esquerda e centro-esquerda.
"O Dr. António José Seguro não é um líder para os tempos modernos", afirma o almirante na reserva, que cita Mário Soares para chamar o seu adversário de "inseguro" e de querer "reciclar a sua carreira política".
Num momento ensaiado, Gouveia e Melo apelidou Seguro do "líder nem-nem", quando queria dizer "candidato nem-nem". António José Seguro aproveitou a gaffe: "Saiu-lhe a boca para a verdade".
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Na resposta, António José Seguro aproveitou o episódio do navio Mondego, em que Gouveia e Melo repreendeu publicamente vários elementos da Marinha. "A diferença é que eu não uso o meu poder para humilhar os meus subordinados", atira o antigo líder do PS.
António José Seguro afirma-se como o candidato da experiência e contra-ataca: "Votar em si é uma aventura, é um tiro no escuro".
Gouveia e Melo utilizou várias vezes a expressão de "pequena política" para classificar as acusações de António José Seguro. O antigo líder socialista atirou: "Não vai para Belém dar ordens aos partidos" e disse que "em democracia fazem-se consensos".
O almirante na reserva acusa Seguro de ser "um líder para a estagnação" e lembra que o antigo líder do PS absteve-se na votação do Orçamento do Estado durante o Governo de Passos Coelho.
Questionados sobre a distinção da revista "The Economist", que aponta Portugal como a economia do ano, Henrique Gouveia e Melo vinca que apesar de ser importante, o crescimento da economia portuguesa assenta fortemente no turismo, alertando que isso é "conjuntural" e pede, por isso, uma "reindustrialização" em Portugal.
Já António José Seguro acredita que é positiva a distinção da revista internacional, mas salienta que acontece com um mercado laboral a mostrar bons resultados, aproveitando a deixa para criticar o timing da reforma laboral que o Governo tenciona fazer.
Sobre a intenção do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que estabeleceu metas sobre o salário mínimo e salário médio, Gouveia e Melo fala em "política declarativa, não de resultados".
Já António José Seguro defende que "é na concertação social" que estas metas devem ser estabelecidas e estranha a mudança de opinião do chefe de Governo em relação à meta para o salário mínimo.
Quando o tema virou para a justiça, Henrique Gouveia e Melo alertou para a credibilidade do Ministério Público no episódio da divulgação de escutas da Operação Influencer, classificando o caso como "justiça de pelourinho". E avisou que o Ministério Público não pode dar margem para dúvidas sobre eventuais agendas que pautam a sua atuação: "O MP pode dizer que não tem agendas, mas tem de mostrar".
António José Seguro foi sintético sobre o tema: "Sou defensor da Constituição. A justiça é um pilar fundamental da democracia, mas está a precisar de obras".