11 dez, 2025 - 09:40 • José Pedro Frazão
O ex-deputado do PSD Duarte Pacheco defende que o Governo devia ter explicado a sua reforma laboral de outra forma, garantindo por esta via mais aceitação para este pacote de medidas. No programa "Casa Comum", da Renascença, o social-democrata lembrou como a comunicação ajudou o Governo Passos Coelho a superar os "tempos da troika" e as suas medidas duras.
"Se o Governo explicasse aos portugueses que estamos a crescer bem face ao histórico, mas menos do que aquilo que precisamos, e que temos aqui uma ferramenta que consideramos importante - explicando isso com naturalidade, porque as pessoas conseguem compreender quando se lhes explicam as coisas - o pacote laboral tinha sido aceite de uma outra forma", defende Duarte Pacheco. "Se o diálogo tivesse sido mais aberto e mais construtivo - por todas as partes mas, nomeadamente, pela parte do Governo - porventura já se tinha alcançado consenso em muitas outras matérias, que depois inviabilizariam a greve geral", diz.
O antigo parlamentar social-democrata considera que Luís Montenegro não seguiu a melhor estratégia, quando, dias antes da greve geral, se referiu à ambição de subir os salários sem explicar a forma concreta de lá chegar. "Quando se começa numa lógica de barganha, as pessoas já não 'comem' isso. Admito que ele voltou a ter um erro de comunicação, porque acredito que ele tem esse objetivo, e é bom termos objetivos ambiciosos e exequíveis. Mas temos de dizer como é que lá vamos chegar, e isso não foi dito", observa o antigo deputado do PSD.
Voltar a negociar com a UGT
Duarte Pacheco critica a UGT por ter avançado para a greve numa fase de negociação. "Estando numa fase ainda de diálogo. Devia esperar pelo fim desse processo", diz. Ao Governo, aponta a dificuldade de diálogo com esta central sindical como um dos erros do processo que levou à greve geral. "O Governo demorou meses a dar uma resposta à UGT, quando eles apresentaram a sua primeira conclusão da avaliação, ainda antes do verão. Só isso é um sinal de que não está totalmente aberto a poder conversar", assinala o comentador do "Casa Comum".
Após a greve geral, defende Duarte Pacheco, o Executivo deve continuar a procurar o consenso "o mais amplo possível" na Concertação Social e "fazer todos os esforços para que a UGT possa subscrever o acordo com as confederações patronais". Duarte Pacheco exclui a possibilidade de um entendimento com a CGTP e insiste que a UGT "também não tem sido muito razoável, porque em muitas questões colocadas de início por parte da UGT, o Governo já lhes respondeu favoravelmente".
Se não houver acordo, o Governo deve seguir com o pacote laboral para o Parlamento e "avançar com os apoios que encontrar", defende Duarte Pacheco. "Prefiro que seja uma proposta consensualizada na Concertação Social, mas o Governo está a mandatar para governar. Não deve desistir daquilo que pretende fazer, até para poder ser responsabilizado no fim do seu mandato".