PRESIDENCIAIS 2026
Ventura vs. Jorge Pinto: “Sonso”, “cabotino”, “pirralho político”. História de um debate (muito) pouco presidencial
11 dez, 2025 - 23:49 • Susana Madureira Martins
Sobre os distúrbios em frente ao Parlamento ao início da noite desta quinta-feira, o líder do Chega classificou-os como “lamentável”, salientando que “foi uma ofensa às autoridades”. Jorge Pinto aproveitou para anunciar a advogada Leonor Caldeira como sua mandatária nacional.
Ofensas de parte a parte marcaram o frente a frente desta quinta-feira à noite, na SIC, entre André Ventura e Jorge Pinto. Os candidatos presidenciais mostraram visões distintas sobre praticamente tudo. De “sonso” a “cabotino”, de “cata-vento” a “pirralho político”, o debate tornou-se num cacharolete de insultos de parte a parte.
O debate, conduzido pela jornalista Clara de Sousa, arrancou com o tema da greve geral desta quinta-feira em que o líder do Chega ameaçou o Governo da AD: “Estamos disponíveis para uma lei laboral moderna, mas não uma lei que seja um bar aberto para despedimentos”. Ventura considera, agora, que o executivo podia “ter evitado” ter-se chegado até à greve geral.
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Sobre os distúrbios em frente ao Parlamento ao início da noite desta quinta-feira, o líder do Chega classificou-os como “lamentável”, salientando que “foi uma ofensa às autoridades”.
Logo a seguir, Jorge Pinto notou que Ventura “tem mudado constantemente de opinião” sobre as alterações à lei laboral e a greve geral. “Bem-vindo, camarada Ventura a esta luta”, ironizou o candidato apoiado pelo Livre. “A AD não vai nunca conseguir aprovar este pacote sozinha. Quem já mostrou muita abertura foi o Chega”, disse ainda Jorge Pinto acusando: “Quem é um cata-vento e um troca-tintas é André Ventura”.
A partir daqui o debate baixou muito de nível, com Ventura a dar o troco. “O Livre não conta para nada e o candidato Jorge Pinto também não conta para muito”, acusou o líder do Chega, acrescentando que enquanto “andava a dizer que a lei laboral tinha de mudar e o Jorge Pinto andava a dormir”.
Confrontado com declarações anteriores em que chegou a defender as alterações à lei laboral, Ventura justificou que o Chega deu “quatro meses para o Governo mudar, para proteger quem trabalha, mas também para quem quer investir”, despachando que “o cata-vento é o Livre” que “quer uma economia para sustentar a tralha que não interessa nada”.
Jorge Pinto, que noutros debates desta pré-campanha das presidenciais tem usado de um estilo sereno, desceu ao mundo de Ventura acusando-o de ter um “estilo cabotino”, rejeitando que o líder do Chega se trate de um candidato antissistema. “Esteve em 40 entrevistas, está em média uma vez nas televisões, foi a pessoa a ter mais tempo de antena, é o queridinho do sistema”, acusou o candidato apoiado pelo Livre.
Assumindo-se como “candidato do regime” e defendendo a separação de poderes como “a ideal”, Jorge Pinto foi depois menorizado por Ventura que acusou o adversário de estar na corrida a Belém para “desistir a favor” de António José Seguro, concluindo “ainda bem, para se digladiarem entre vocês”.
Cartas, segurança pessoal e a vida nos subúrbios
“Eu e André Ventura estamos distantes em tudo”. A frase dita por Jorge Pinto foi o espelho da meia hora de debate. A dada altura, o frente a frente descambou para ataques pessoais.
“Onde está o e-mail de André Ventura relativo a Duarte Lima? Onde está o e-mail relativo a Miguel Relvas? Há cinco anos enviou uma carta a Miguel Albuquerque a pedinchar que fosse o seu pilar”, atirou Jorge Pinto com o debate a meio, garantindo que “no combate à corrupção serei intocável”.
O candidato presidencial apoiado pelo Livre explicou, mais uma vez, que se fosse eleito Presidente da República, dissolveria o Parlamento no caso de “uma tentação de revisão drástica da Constituição”, apresentando esta proposta como uma “forma de dissuasão” à apresentação de propostas de alteração profundas à Lei Fundamental.
Na réplica, Ventura atirou a Jorge Pinto: Se houver uma maioria constitucional significa que há dois terços” no Parlamento. “Sabe isso e faz isso como fraude. É um ditador que não aceita a vontade do povo, está a deslegitimar a vontade” do eleitorado, acusou ainda o líder do Chega que aconselhou o adversário: “Aprenda uma palavra - Democracia”.
Mais à frente, Ventura defendeu-se: “Quando havia o escândalo de Armando Vara você estava lá”, lembrando ao adversário que foi militante “ativo” do PS na juventude. “No tempo de Jorge Coelho estava lá”, justificando que saiu da militância do PSD “quando disse que os ciganos tinham de trabalhar e o PSD achou que não”.
Tal como já tinha feito Catarina Martins no debate que teve com Ventura, Jorge Pinto acusou o líder do Chega de não “amar” Portugal e de “não conhecer” o país. “Vive num condomínio fechado, tem quatro ou cinco seguranças, nunca foi à cantina do Parlamento, inventa o país de ódio”, acusou o candidato.
Ventura puxou dos galões sobre a sua vivência num “subúrbio do país, andei em escolas públicas, ao contrário do seu líder que mete os filhos no privado”, rematando com um “não me venha dar lições de moral de um partido corrupto como o seu”. Ventura justificou ainda que tem segurança pessoal porque “escumalha do seu partido e de outros já me tentaram matar”, acusando Jorge Pinto de ser um “pirralho na política”.
No fecho do debate, Jorge Pinto acabou por anunciar Leonor Caldeira, como a sua mandatária nacional. Trata-se da vencedora do prémio Nelson Mandela e a advogada que levou André Ventura a tribunal, conseguindo a sua condenação, no processo em que defendeu a família Coxi, a quem o líder do Chega chamou “bandidos”.
“Ainda bem que escolheu essa advogada”, respondeu Ventura atirando a Jorge Pinto que nas sondagens está “em primeiro”, prometendo: “Vou acabar com o país da mama”. A meia hora de insultos mútuos acabou com o líder do Chega a acusar os dirigentes do Livre de serem “uns sonsos que querem o fim da NATO”.
O próximo frente a frente está marcado para esta sexta-feira na RTP com Luís Marques Mendes e Catarina Martins.
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